1 em cada 4 adolescentes latinos nos EUA já pensou em suicídio
Fonte: Agência BR NEWS Da redação com agências
Estudo indica que filhos de imigrantes com idade de 11 a 19 anos sofrem grande pressão social e tem tendência à depressão
As adolescentes latinas que vivem nos Estados Unidos pensam ou têm comportamentos suicidas duas vezes mais do que imigrantes de outras nacionalidades. O dado foi revelado pela responsável pelo programa de saúde mental de Nova York, Sharon Carpinello. Segundo ela, 36% das imigrantes de 11 a 19 anos expressou, em 2005, sentimentos de tristeza e desesperança, e uma em cada quatro pensou em suicídio.
A funcionária apresentou os dados na semana passada, para conscientizar as comunidades locais sobre a gravidade do fenômeno que afeta os imigrantes. O objetivo da divulgação das estatísticas é incentivar a criação de um grupo de trabalho que faça recomendações ao legislativo estadual, a fim de buscar uma solução para o problema.
Carpinello citou, ainda, outro estudo que está sendo realizado pelo sociólogo Luis Zayas, apontando que as adolescentes latinas da região de Nova York, cujos pais são imigrantes, sofrem maior pressão social. “O estresse da aculturação é citado frequentemente como causa de suicídio entre imigrantes”, ressaltou, referindo-se à dificuldade de adaptação enfrentada pelos jovens no novo país.
Ela observou que o conflito entre a cultura de seus pais e a nova cultura faz com que os jovens tenham dificuldade em falar de suas frustrações ou discutam seus problemas com a família. Com isso, os adolescentes ficam com poucas alternativas para desabafar, aumentando os riscos de depressão e comportamento suicida.
Estresse, frustrações e poucas expectativas
O índice de suicídio de mulheres e homens latinos na cidade de Nova York no ano de 2003 foi de 3,7 mortes por cada 100 mil pessoas, o que supõe uma taxa inferior à registrada no Estado, que foi de 4 mortes para cada 100 mil.
Esses índices, no entanto, são mais altos que os contabilizados nos países de origem dos imigrantes. No México, por exemplo, a taxa é de 1 para cada 100 mil habitantes; em Porto Rico é de 1,9 e na República Dominicana, Honduras e Bahamas é praticamente insignificante.
Esses dados contrastam com os índices de suicídios em algumas comunidades latinas nos EUA, como a porto-riquenha, que tem 9 suicídios para cada 100 mil pessoas. Para as especialistas, fatores sociais e econômicos, problemas na escola e o acesso limitado aos serviços públicos são circunstâncias que, junto com a dificuldade de adaptação, incidem sobre as taxas de suicídio dos hispanos.
Os pesquisadores sugerem que os educadores sejam capacitados para identificar os sinais da depressão entre os jovens, para que possam fazer um trabalho conjunto com a família.
Fique atento a alguns sintomas de depressão entre adolescentes
Quase todas as pessoas, sejam elas jovens ou idosas, experimentam sentimentos temporários de tristeza ou melancolia em algum momento da vida. Estes sentimentos tendem a desaparecer sem tratamento. Mas, por outro lado, quando a pessoa sofre de depressão, ela raramente consegue superar o problema espontaneamente.
A depressão é uma doença causada por alterações químicas do cérebro, e traz crises constantes de choro, irritabilidade, insônia e dificuldade de concentração; este sintomas podem durar muito tempo.
Os sinais de depressão em adolescentes são semelhantes aos dos casos em adultos, embora alguns ocorram com maior freqüência nos jovens. Alguns indicativos da doença:
- tristeza, melancolia ou preocupação
- inquietação ou irritabilidade
- falta de entusiasmo, energia ou motivação
- afastamento ou isolamento de atividades sociais
- baixa auto-estima e pensamentos negativos com relação ao presente e ao futuro
- ansiedade, fobias ou medos
- confusão ou dificuldade de tomar decisões
- baixo rendimento escolar
- problemas alimentares ou insônia
- perfeccionismo
A maioria do jovens com diagnóstico de depressão é reconhecida como portadora de um distúrbio maníaco-depressivo, ou seja, apresenta grandes flutuações de humor, parecendo triste num determinado período do dia (depressão) e alegre no dia seguinte (mania).
A depressão também pode ser "mascarada" por problemas físicos, incluindo alterações de apetite e distúrbios de alimentação (anorexia ou bulimia nervosa), cansaço extremo, sono (embora tenha dormido bem), dores de cabeça e distúrbios gastro-intestinais.
SUICÍDIO: A PIOR DAS CONSEQÜÊNCIAS Pessoas gravemente deprimidas podem desenvolver pensamentos de auto-agressão ou de suicídio. Os principais sinais indicativos de suicídio são: • mudanças de comportamento e de personalidade
• alteração nos hábitos de sono ou alimentares
• insônia
• pânico ou ansiedade em exagero
• comentários sobre morte e suicídio, além da existência de ferimentos pelo corpo
• distribuição de objetos pessoais
BUSCANDO AJUDA
Se você suspeitar que um adolescente está sofrendo de depressão, saiba que pode ajudá-lo. Os adolescentes costumam ter dificuldades de falar sobre seus sentimentos por acharem que os adultos não o entenderão. Por isso o papel dos pais, professores e familiares é imprescindível nestes momentos, sendo necessária uma boa dose de paciência, carinho e compreensão. Em casos mais graves, quando uma conversa franca não ajuda, é indispensável pedir auxílio a um profissional experiente.
Fonte: DEPRESSÃO - ELA TAMBÉM ATACA ADOLESCENTES – artigo escrito por Elisabete Fernandes Almeida, escritora e editora médica, com especialização em Projetos de Educação Médica Continuada.