Sim, 2007 não vai deixar saudades, pois foi o ano em que as crises definitivamente comprometeram as reputações de pelo menos dois governos: o do Brasil e o dos Estados Unidos.
No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva marcou hora e dia para a crise aérea acabar, mas não podia imaginar que o ápice dela ocorreria da pior forma possível. Por pior forma possível, entenda-se a tragédia do vôo 3054 da TAM, que caiu no dia 17 de julho vitimando 199 pessoas. Ao se chocar contra o prédio de Cargas da própria empresa depois de atravessar em alta velocidade, e com um dos reversores travado em plena hora do rush, o Airbus A320 colocou o Brasil no cenário dos dois piores acidentes aéreos mundiais em menos de um ano, pois em setembro de 2006 fora a vez do avião da Gol cair na selva amazônica.
A tragédia serviu para expôr o alto risco que era voar no Brasil naqueles dias, sobretudo, pela inércia do governo federal em por um ponto final na crise.
Já para os milhões de imigrantes indocumentados que tinham a esperança de se legalizar, a frustração e o desapontamento tomou conta, principalmente, ao se dar conta de que apesar de todos os esforços de George W. Bush não haveria lei alguma. Milhares de imigrantes desanimados e desiludidos tomaram o caminho de volta.
O ano mostrou as dificuldades e debilidades do republicano Bush, principalmente com a Guerra do Iraque que literalmente sangra financeiramente os cofres públicos, enquanto que o sangue de verdade dos soldados é derramado para desespero das famílias e do contribuinte que paga bilhões de dólares por uma guerra sem sentido.
No dia 16 de abril, a América parou mais uma vez pasmada para contar os 32 mortos no campus da Virginia Tech University. Nos dias subsequentes à tragédia, o espanto tomou ares de repulsa ao assistir vídeos pré-gravados por Cho Seung-Hui de 23 anos, cuja ferocidade, insanidade e desequilíbrio era patente, mas não chamou a atenção de ninguém, e, mesmo assim, ele conseguiu comprar armas e munição e sair para matar com um intervalo, onde conseguiu mandar os tais vídeos pelo correio. Rivalizou com a morte do menino João Hélio Fernandes de seis anos, arrastado por sete quilômetros no Rio de Janeiro, depois de ficar preso no cinto de segurança do carro da sua mãe que havia sido roubado pouco antes. O crime serviu para trazer de volta o debate sobre a redução da maioridade penal, pois um dos criminosos tinha na época 16 anos, e portanto, inimputável pela legislação brasileira.
Outro fato que chocou o mundo foi o desaparecimento de Madeleine McCann, uma inglesinha de três anos, no Algarve, em Portugal. Por mais que se investigue, não se sabe que rumo a menina tomou. Em determinado instante, a suspeita do sumiço recaiu sobre os seus pais, e nem um apelo do papa Bento XVI surtiu qualquer efeito. Bento XVI que em visita ao Brasil juntou multidões por onde passou e prometeu voltar um dia ao país que cada vez mais perde fiéis para as igrejas cristãs-evangélicas.
No mais, o que se viu no mundo foram escândalos aqui e ali, incêndios que queimou as casas dos milionários na Califórnia sem que se pudesse fazer nada para extingui-los, terremotos em diversas partes do globo, e uma cada vez mais crescente preocupação com o meio ambiente que rendeu um Oscar ao ex-vice-presidente americano Al Gore, convertido num crítico mordaz do aquecimento global e cada vez mais distanciado da política americana, que promete fortes emoções em 2008 com as eleições presidenciais.
Será que a América estará preparada para eleger uma mulher – Hillary; um negro – Obama; ou continuar com um republicano – Giuliani ou Romney?
Mas o fato mesmo que chamou a atenção do mundo foi o famoso “Porque não te calas”, dito pelo rei Juan Carlos de Espanha para o ditador Hugo Chávez, o que nos faz refletir profundamente como seria mais fácil viver se tudo se reduzisse a isto…