Dificuldade para conseguir empregos fixos e custo de vida mais alto. Imigrantes precisam fazer "bicos" para complementar a renda principal e conseguir pagar as despesas do dia-a-dia.
Queda do dólar, aumento do custo de vida e falta de documentos. Esses são os principais fatores – não necessariamente nessa ordem – que estão levando muitos imigrantes a procurarem trabalhos extras como forma de complementar a renda principal.
Silvana Santos, moradora de Flushing (NY) trabalha há três anos tomando conta de uma senhora americana, Segundo ela, o trabalho é bem fácil e muito pouco cansativo. Porém o salário deixa a desejar. “O que ganho não é suficiente para me manter com qualidade de vida. Mas se eu for procurar outras coisas será pior, pois sei que o salário não vai ser muito diferente do que ganho e talvez o trabalho vai ser mais pesado”, analisa.
Para arcar com todas as contas no final do mês, Silvana teve que arrumar alguns “|Bicos”. Nas horas vagas, ela é representante de produtos naturais. “Muita gente freqüenta a minha casa, então sempre acabo fazendo vendas que ajudam um pouco”, diz. A razão para receber tantas visitas está relacionada ao outro “bico” de Silvana. Ela faz pequenos consertos e reforma de roupas, serviço que as brasileiras estão sempre à procura.
Para a capixaba, a renda extra é essencial para que ela possa pelo menos manter o padrão de vida que tinha ao lado do marido. “Quando eu era casada, as coisas eram mais fáceis porque dividíamos todas as despesas, mas agora, além de estar sozinha, tudo está mais caro, os aluguéis estão altissímos, quem que aguenta?”, indaga.
No caso de Igor Brito, de New Jersey, o “bico” é para complementar o salário que recebe como entregador numa padaria. Durante os seis anos em que trabalha no estabelecimento, ele recebe praticamente a mesma quantia, mas como tem despesas no Brasil, com a desvalorização do dólar em relação ao real, parece que seu salário reduz a cada semana. Para não ficar no sufoco, Igor conta com o dinheiro que recebe da entrega de jornais uma vez por semana.
“Com a queda do dólar minha despesa subiu. E aqui as coisas também estão mais caras. Trabalho extra não para ganhar mais, mas para poder dar conta das despesas”, diz.
Trabalhadores da construção buscam trabalhos diários nas esquinas das cidades
Os imigrantes que trabalham na construção civil fazem parte do grupo afetado pela crise imobiliária nos Estados Unidos. Além da pouca oferta de empregos, eles ainda enfrentam o problema da falta de documentos. Com as constantes operações da Imigração, é cada vez maior o número de empregadores que não contrata ninguém sem Social Security.
Com isso, resta a muitos imigrantes fazer plantão em esquinas ou parques da cidade à espera de uma oportunidade para trabalhar, nem que seja por um dia. De acordo com um estudo feito pelas universidades da Califórnia, New School e Illinois no ano passado, há cerca de 117 mil pontos de reunião de trabalhadores sem emprego ou “labor sites” em todo país.
Como a concorrência é muito grande, na disputa pela vaga vale tudo, empurrar o colega, mostrar certificados e, principalmente, aceitar receber salários, às vezes, menores que o mínimo. Para a maioria dos trabalhadores desses “labor sites”, o dinheiro ganho com o “bico”, não é para complementar a renda, mas sim para pagar o aluguel, comprar comida e arcar com as despesas básicas do dia-a-dia.