A cena do policial escondido detrás de uma árvore a espreita de quem não parava num stop a poucos metros do local onde ele estava, chamava a atenção de todos os que circulavam pelo local. Durante mais de duas horas, os carros parados à espera de um ticket se enfileiravam, inclusive brasileiros.
Numa determinada hora, o policial entregou mais de 10 multas de uma única vez. Na posição onde ele estava, não podia ser visto, e os motoristas mais afoitos ou apressadinhos eram presa fácil numa armadilha que custou algumas centenas de dólares. Fora os desaforos que, eventualmente, um ou outro motorista ouvia do policial exaltado.
Isto faz pensar na nossa gente, que às vezes fica deslumbrada com os encantos fáceis da América e não se dá conta das muitas armadilhas que estão soltas pelo caminho. Armadilhas que podem ser ganhos fáceis motivados pela ganância e pela esperança – vã – de enriquecer ilicitamente. Uma prova disto são os brasileiros presos por falsificação de documentos, que é crime federal; os golpes variados que são aplicados em pessoas ingênuas que por achar que estão tratando com gente honesta acabam ludibriadas na sua boa fé.
São tantos os golpes e as espertezas que é quase impossível enumerar cada um deles, por falta de espaço. Na maioria das vezes os malandros contam com a omissão das vítimas que, com medo de se expor, não os denunciam para as autoridades.
Foi-se o tempo em que os brasileiros que aqui estavam eram somente gente interessada em trabalhar honesta e diligentemente. Hoje, há uma quantidade de espertalhões que fazem de conta que trabalham, mas que ganham dinheiro mole, na mão grande, na lábia.
Agiotas, rufiões, ladrões, estelionatários, prostitutas, espertalhões, receptadores, traficantes, chantagistas e vigaristas de todas as espécies estão infiltrados na comunidade, além de fugitivos das justiça brasileira, muitos deles assassinos condenados que buscam refúgio entre a gente honesta e trabalhadeira, além de profissionais como médicos que cobram o que querem, se aproveitando da boa fé da nossa gente.
Com o aumento de brasileiros, começaram a surgir os crimes graves, como assassinato, roubos, violência sexual e física, e quando os autores são apanhados, vão mofar por um bom tempo nas cadeias americanas.
Em algumas cidades onde há muitos brasileiros já se evita circular em determinadas horas da noite por causa do medo de ser assaltado ou espancado. Tudo isto acontece debaixo do olhar complacente da comunidade, que não quer se envolver e por isso acaba sendo conivente. O que muitos não se dão conta é de que se está numa armadilha que tal como o policial escondido atrás da árvore, vai acabar por punir quem pensa agir de boa fé.
As mazelas são muitas. Sabe-se de muitas baby sister brasileiras que dão remédios de dormir para as crianças que cuidam, sem o conhecimento dos pais e das autoridades, e até de mecânicos que enganam seus clientes na troca de peças – colocam peças velhas, e cobram por novas, entre outros truques e espertezas, que significam dinheiro fácil.
Quando são apanhados, querem se fazer de vítimas inocentes, e fazem de conta que não é com eles, afinal o culpado sempre é o outro. Isto sem contar a violência doméstica, que assola muitos lares e relacionamentos, e deixa as autoridades preocupadas com o aumento entre os brasileiros. Há que se contar também as gangues, que é outra coisa que merece cuidados especiais.
Evitá-las exige bom senso. Uma postura que nem sempre é vista na nossa gente, que fica a mercê das oportunidades nem sempre éticas que aparecem para cada um. Com isto tudo vai se vivendo do jeito que pode, driblando as armadilhas que surgem aqui ou ali. Mas não deveria ser assim. Podia ser diferente, muito diferente.