Louis J. Barletta, prefeito de Hazleton, na Pennsylvania, foi o grande derrotado pela decisão do juiz federal James M. Munley, na proposição de uma lei que impedia imigrantes indocumentados de locarem casas e estabelecimentos comerciais na cidade. Além de Barletta – um sugestivo sobrenome italiano e, portanto, de origem imigrante, pelo menos outra centena de prefeitos de pequenas e médias cidades americanas têm se visto à volta com pacíficas invasões de imigrantes de todos os lugares do mundo, e cada vez mais vêem moradores, eleitores e contribuintes reclamarem do comportamento dos forasteiros.
Não há uma razão específica para a aversão dos nativos contra os estrangeiros e sim um conjunto de pequenas atitudes que somadas fazem com que se forme uma grande e inevitável intolerância.
Acostumados com a monotonia das tardes modorrentas, onde as coisas são iguais por anos seguidos, os moradores destas cidades se deparam com estranhos barulhentos que chegam para corromper – dos seus pontos de vistas, deturpar e desrespeitar leis e regras, revitalizar a economia, comprar carros que muitos americanos jamais sonharam um dia ter, comprar – e pagar – casas que americanos não conseguem comprar. Além disto, há os índices de natalidade cada vez maior dos imigrantes, cujos filhos ao nascerem na América têm os mesmos direitos, mas que são vistos como intrusos, pois aos olhos dos nacionalistas dividirão os imensos recursos com os seus filhos – irão para a universidade – um direito negado aos seus pais, servirão numa divisão qualquer das forças armadas e serão tão eleitores quanto qualquer um deles.
Sem contar as bebedeiras, as confusões, a criminalidade cada vez mais crescente, os delitos no trânsito, a violência doméstica e as fraudes cada vez mais milionárias, cometidas por imigrantes que uma vez apanhados são julgados, condenados a cumprir pena nas rigorosas cadeias americanas.
Há também o grande número de imigrantes que se tornam donos dos seus próprios negócios e prosperam cada vez mais. Hoje, há brasileiros e estrangeiros que têm americanos sob as suas ordens, além daqueles que trabalhando muito enriqueceram.
Aos olhos dos americanos tudo isto é intolerante e descabido. Junto com a falta de modos e educação fazem com que cada vez mais eles – os americanos – batam às portas das autoridades municipais para reclamar deste estado de coisas.
Logo, os prefeitos e os conselheiros – uma espécie de vereadores – se tornam a principal caixa de ressonância destas insatisfações que uma vez verbalizadas logo viram propostas de leis cada vez mais restritivas.
Pressionadas, as autoridades municipais que dependem do voto e da boa vontade da população da cidade são levadas pela hipocrisia e pela falta de caráter a tomar atitudes contrárias ao trabalhador imigrante e, na maioria das vezes, indocumentado.
Propostas como as de Hazleton já foram na sua essência sugeridos em Riverside (New Jersey), em Escondido (Califórnia), em Sandwich (Milford), Framingham e Marlboro (Massachusetts), locais onde há grande número de estrangeiros.
Certamente, o prefeito Barletta recorrerá à Suprema Corte, e a decisão poderá levar anos para ser reformada ou confirmada, o que nos leva a refletir que o problema continuará circunscrito à esfera municipal, visto que o governo federal e central está distante pelas razões que todos conhecemos de sobra.
Será a continuidade das hostilidades cotidianas feitas pelos vizinhos, na esquina, nas escolas, no comércio e que é, afinal de contas, a pior das rejeições e sinal evidente de intolerância. Tudo isto poderia ser evitado se o Congresso americano tivesse votado e aprovado uma lei coerente que regularizasse milhões de pessoas.
Resta-nos esperar pelo bom censo das cortes federais, que ao rejeitar que cidades como Hazleton promulguem leis antiimigrantes coloquem as coisas nos seus devidos lugares. Por outro lado, Hazleton não será a última a ser derrotada. Outras surgirão e, felizmente, suas pretensões nefastas serão também derrotadas.
Excelente artigo, uma vez que o que precisamos são de sementes, pessoas de coerencia e força que com estrategia e poder de justiça quem sabe um dia poderá ter a realidade e todas as leis alteradas, para melhor. Curioso é que nos dias de hoje não se encontram mais advogados idealistas e de coragem que poderiam provar para o sistema por exemplo que, pessoas com mais de 5, 10 anos em qualquer país do mundo, sem ocorrencias policiais e crimes, teriam direito adquirido... com muito mais sacrificio e esforço do que os que um dia chegaram na America e conseguiram sua legalizacao, muitas vezes mais facil. Os EUA tem orgulho e prazer de dizer que é um País cristão... mas de uma biblia repleta de folhas arrancadas pelo visto.
caze - Atlanta 8/5/2007 1:10:29 AM
o titulo foi um pouco complicado porque, desculpe minha ignorancia (sou um cidadao normal como todos os outros leitores) mas tive dificuldades de entender alguns termos empregados, inclusive o titulo.
excrescência, modorrentas, circunscrito
Jehozadak Pereira - 8/5/2007 10:03:54 PM
Excrescência
do Lat. excrescentia
s. f.,
tumor ou proeminência que se desenvolve sobre a superfície de qualquer órgão;
saliência;
demasia, superfluidade
Modorrenta
do Cast. modorra
s. f.,
prostração mórbida;
grande vontade de dormir;
sonolência;
apatia;
insensibilidade;
Circunscrito
do Lat. circunscriptu
adj.,
limitado totalmente por uma linha;
restrito;
apertado;
limitado;
localizado.
Wilson - Brasil 8/23/2007 12:09:03 PM
Em tudo nessa vida há de se ver os dois lados da moeda.Logicamente a matéria focaliza os interesses do imigrante.Mas por questâo de democracia e livre pensamento tentemos entender o ponto de vista americano.Talvêz o que o autor chame de monotonia seja tranquilidade.Na verdade,o perigo não está nesses imigrantes que estão aí,e sim exatamente nos seus filhos que dentro de casa aprendem valores deturpados e uma vez com documentos dando amplos direitos de um cidadão,este venha a influenciar a sociedade e sua cultura.Um filho de imigrante pode vir a ser um político,um médico diretor de um hospital,um policial graduado,etc...Ele terá a visão de seus pais que ensinaram a ele a ganhar dinheiro a qualquer custo.Não amará os EUA e sim o seu país de origem embora muitas vezes nem o conheça.È como o pai que ensina o filho a torcer pro time de futebol desde cedo.A criança cresce com aquele time no coraçâo sem saber porque.Os americanos querem sim os imigrantes.Mas querem que eles venham aos poucos,de forma a não influenciar a vida dos nativos,porque a minoria nunca muda a maioria.O perigo está no dia em que a minoria vir a ser maioria.
tata - nj 8/23/2007 5:41:00 PM
Se ja nao fosse o suficiente agora a policia vai dar "blitz" na rua pra "pegar" carteiras de outro estado?? Parece que irao exigir o green card, Tenha do! Palhacada isso, se nao dirigirmos com carteira de outro estado vamos digirir sem carteira e sem seguro?? Porque nao temos outro opcao ja que nao fazem nada pra ajudar quem ajuda a pagar o cheque deles. PALHACADA das grandes!
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