Fonte: Agência BR NEWS
Abertas as urnas depois do primeiro turno nas eleições francesas, revelou-se o que mais os imigrantes temiam. O ex-ministro do Interior Nicolas Sarkozy, conservador, e Ségolène Royal, solicialista, vão disputar o segundo turno daqui a duas semanas.
O temor dos imigrantes indocumentados na França de que Nicolas Sarkozy ganhe a eleição presidencial se justifica por causa do seu trabalho à frente do Ministério do Interior. Sarkozy promoveu uma profunda reforma imigratória, que entre outras coisas reprimiu a imigração ilegal, e aumentou consideravelmente a expulsão de clandestinos. O projeto de sua autoria ficou conhecido como imigração escolhida, onde o candidato à legalização tinha de provar ter um bom nível de estudos e qualificação profissional. Além de exigir garantias salariais para que o imigrante pudesse levar para a França a sua família.
Nos cinco anos em que foi ministro do Interior, Sarkozy estabeleceu metas de deportação de imigrantes indocumentados, maiores a cada ano. Em 2006, cerca de 25 mil indocumentados foram deportados da França para seus países de origem.
Sarkozy declarou na campanha eleitoral que a França está exasperada com a imigração ilegal e descontrolada, o que causou muita polêmica entre os imigrantes residentes no país. Se a política adotada por Nicolas Sarkozy estivesse em vigor décadas atrás, seu pai – um imigrante húngaro, e sua mãe, uma judia de ascendência grega, dificilmente poderiam se conhecer e se casar na França. Não se sabe o que de fato tanto incomoda Sarkozy – se os imigrantes ou a imigração ilegal. A realidade é que se ele for eleito presidente, os imigrantes indocumentados que moram na França podem esperar por dias negros e de perseguição.
Fenômeno que pode se repetir nos Estados Unidos, se por aqui o eleito for Rudolph Giuliani, ex-prefeito de New York e candidato à Presidência da República pelo Partido Republicano. Diferentemente de quando era prefeito, quando defendia os imigrantes, lutava por medidas que os favorecessem na obtenção de documentos e de legalização e se opunha ao governo federal que queria restringir serviços educacionais e hospitalares, Giuliani declarou recentemente ser contrário a qualquer tipo de anistia, dizendo que os imigrantes ilegais devem esperar no fim da fila para obter documentos.
Ex-promotor público em New York e com fama de defender a lei e a legalidade, Giuliani, cujos avós vieram da Itália, tenta convencer os eleitores de que irá reprimir a imigração ilegal e defende a reforma imigratória, desde que ela comece pela fronteira, dizendo que os Estados Unidos são uma nação em guerra.
Não se sabe ainda se Rudolph Giuliani conseguirá vencer a luta partidária para concorrer à Presidência da República, mas as suas declarações e mudança de posição acerca da imigração ilegal é sintomática, pois tudo leva a crer que qualquer candidato que apoiar o assunto ficará queimado junto ao eleitor americano, e poderá se repetir aqui os piores temores dos imigrantes na França de que dias piores virão. Já se sabe que o tema será importante e primordial nas eleições americanas que acontecerão em pouco menos de dois anos.
Sarkozy, ao contrário de Giuliani, tem uma grande possiblidade de vencer as eleições francesas e, uma vez no poder, implementar medidas para coibir, reprimir e limitar a imigração, que se torna cada vez mais uma questão humanitária, principalmente, para os países ricos, que carecem cada vez mais da mão de obra imigrante, mas que insistem em colocar barreiras, tratando o assunto como um delito e os imigrantes como criminosos, causando pavor, medo e insegurança em gente que só quer trabalhar e ter uma vida mais justa e digna em todos os aspectos.