A crise de alimentos que se abate sobre o mundo tem provocado uma série de reações, a começar por Ban Kim-moon, secretário geral da ONU, que anunciou a criação de uma força-tarefa para apresentação de soluções para a crise provocada pelo aumento dos preços dos alimentos no cenário internacional.
Pode parecer paradoxal que em pleno século 21 seres humanos padeçam os horrores da fome. Numa era em que se prima pela rapidez e eficiência das comunicações, da tão decantada qualidade de vida, e da globalização, a fome é certamente um dos flagelos da humanidade. E onde as pessoas padecem de fome? Nos rincões do mundo? Não, o fenômeno é na periferia das grandes cidades, principalmente por causa dos preços cobrados.
Cada dia que passa, aumenta a quantidade de pessoas que não podem comprar os alimentos básicos para o dia-a-dia. Por causa disto, a fome no mundo se alastra com impressionante rapidez.
O que é fome? Alguns simplesmente diriam que é a ausência ou a escassez de alimentos – uma das definições dos dicionários dizem que fome é grande apetite; urgência de alimento ou situação de míngua ou escassez de víveres – simplista não? Hoje, pode-se dizer que a fome é endêmica e em todos os países de regiões do mundo existem pessoas famintas, porém, em alguns destes países encontram muito mais dificuldade para alimentar a sua população.
Para se ter idéia do quanto é difícil acabar com a fome, é só analisar o procedimento do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. Uma das plataformas das campanhas de Lula foi o programa Fome Zero. Isto significava, na visão do presidente, que a fome deveria ser erradicada do Brasil.
Logo nos primeiros dias de governo, o presidente Lula levou uma caravana de ministros para visitar alguns lugares no nordeste brasileiro, o que, segundo alguns, foi uma inovação, e passados mais de 150 dias de governo nenhuma atitude prática foi tomada para se acabar com a fome. Os entraves burocráticos e a morosidade da máquina estatal jogam contra a intenção de Lula.
O então ministro José Graziano não havia chegado à conclusão de qual o melhor método para a arrecadação de recursos para o combate à fome. Para se ter um exemplo da dificuldade, nem sempre o que era doado chegaria ao destino final. Daqui a alguns meses, Lula vai terminar o seu governo sem ter conseguido colocar em prática, na sua plenitude, o programa Fome Zero.
Só no Brasil, são mais de 44 milhões de esfomeados, sem solução a curto prazo. Pode-se estimar que a população mundial gira em torno de 6,2 bilhões de pessoas, e destes – dados de 2001 – cerca de 14% passam fome, um número que pode aumentar.
O que falta então? Terras cultiváveis? Vontade política? A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação – FAO – estima que não conseguirá cumprir a meta de diminuir a fome pela metade até 2015, e provavelmente só em 2030 a meta poderá ser cumprida.
A fome é letal. A cada ano, cerca de meio milhão de crianças ficam cegas ou parcialmente cegas devida à deficiência de vitamina A. A deficiência de iodo é a principal causa de retardo mental e ameaça 1,5 bilhão de pessoas no mundo. Um em cada cinco bebês no mundo nasce abaixo do peso ideal. A cada 3,6 segundos alguém morre de fome no mundo.
As causas da fome são inúmeras. Clima, seca, inundações, terremotos, pragas de insetos e doenças na lavoura, podem ainda ter causas humanas como instabilidade política, má administração de recursos naturais, guerras e conflitos civis, falta de planejamento agrícola.
Pobreza, distribuição ineficiente de alimentos – em muitos lugares assolados pela fome, toneladas de alimentos que apodrecem por não haver estrutura adequada de armazenamento e distribuição, crescimento desproporcional da população em relação à capacidade de sustentação, aliado a outros fatores, são as causas de fome crônica e da desnutrição.