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9/27/2007 - 13:23

A lição de New York e o exemplo de Riverside


Fonte: Agência BR NEWS

Boa vontade. Boa vontade e sensibilidade humana, é o que está demonstrando Eliot Spitzer, o governador democrata de New York State, ao conceder para cerca de 500 mil imigrantes indocumentados que vivem no estado, a tão sonhada e necessária carteira de motorista, a partir de dezembro próximo – leia a matéria completa em Cotidiano na página 11.



Na contramão da história recente de proibições e restrições, inclusive de George Pataki, seu antecessor, Spitzer dá uma lição no resto do país, principalmente no governo federal ao permitir que somente de posse de um passaporte válido e uma prova de residência no estado, se consiga a habilitação, mesmo com protesto de diversas entidades, entre elas algumas ligadas aos parentes e vitímas do atentado de 11 de setembro, que
afirmam que os alguns terroristas tinham situação ilegal nos Estados Unidos além de portarem carteira de motorista do estado.

É claro, que a dor de quem perdeu parentes e amigos deve ser respeitada, mas não se deve viver em função disto, mesmo porque a vida segue, e os custos financeiros decorrentes da falta de habilitação aumentam e quem paga é o consumidor final. Porém, como tudo na vida tem que ter um ganhador e um perdedor, um satisfeito e um insatisfeito, um vitorioso e um derrotado, o tempo se encarregará de colocar as coisas nos seus devidos lugares.

Sem dúvida alguma o ato de Spitzer é um considerável avanço nas tensas e complicadas relações imigratórias, principlamente depois que meses atrás o congresso americano rejeitou qualquer possibilidade de que uma lei – por pior que seja – fosse aprovada em 2007, apesar dos aparentes esforços do presidente George W. Bush.

A concessão da carteira de motorista para imigrantes indocumentados, serve de alento e esperança para outros milhões de ilegais que precisam do carro para se locomover, além de trazer um aumento considerável na arrecadação das companhias de seguro e consequentemente das taxas estaduais, que pode tranquilamente se tornar um exemplo ser seguido.

Já a lição quem está aprendendo duramente é Riverside, em New Jersey, que há algum tempo pensou que podia se livrar dos imigrantes indocumentados com leis restritivas e uma série de proibições. Conseguiu sim, mas o custo social esta sendo cobrado agora, quando a fatura das brigas judiciais começam a ser apresentadas.

O The New York Times publicou matéria sobre as agruras financeiras da cidade, principalmente na área social, que foi a mais prejudicada, pois todos os recursos financeiros estão sendo consumidos pelos custos dos processos. Se por um lado há o trânsito tranquilo, a calmaria nas ruas e o sumiço completo de imigrantes e as odiadas bandeiras dos seus países de origem, há por outro centenas de imóveis vazios e negócios falindo por
falta de clientes e consumidores.

Hoje, já se pergunta em Riverside se valeu a pena banir dos limites da cidade, pois o dinheiro foi embora com eles, ficando a melancolia e o abandono para ser administrado. A exemplo de Riverside, outras 30 cidades americanas optaram por leis semelhantes ou mais coercitivas e que tendem em curto espaço de tempo se tornar cidades decadentes e fantasmas.

O que mantêm hoje cidades ativas e prósperas
economicamente em diversos estados americanos
é o dinheiro do imigrante indocumentado que
normalmente não tem nenhum vínculo profundo
com elas, e se for hostilizado ou mau tratado vai procurar outro lugar que não o impeça de viver em paz e com razoável segurança.

A tendência é que o indocumentado opte pelas periferias das grandes, onde em tese não será importunado pelo seu vizinho americano. Riverside que já teve ondas de imigração para os seus limites, vai amargar a sua opção politicamente incorreta de dizer que não aceita imigrantes indocumentados, e vai se transformar a exemplo de muitas outras no velho oeste, numa cidade fantasma.
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Comentários. Deixe o seu!

1 comentário(s)
Wilson - Brasil
10/2/2007 8:35:09 PM
De fato a medida de restringir o direito de dirigir não atente ao almejado pelos que são contra os ilegais.Afinal sempre é possivel dar um "jeitinho"para se burlar a fiscalização.Existe um povo expert nisso.O que o governo deve fazer e está fazendo é ser rigoroso com as empresas que contratam ilegais e aumentar a fiscalização nos locais de trabalho.
 

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