O grande fato da semana, depois da crise envolvendo a Colômbia, o Equador, a Venezuela, Hugo Chávez e as Farc, foi a vitória da senadora Hillary Clinton nas prévias de Ohio e do Texas. Hillary conseguiu o que parecia impossível ao ganhar três das quatro prévias do dia.
Segundo a imprensa americana a reação da senadora Clinton deu-se por causa da estratégia de marketing que se tornou mais agressiva nos últimos dias. O tiro certeiro foi veiculado através de uma propaganda na televisão com um hipotético telefonema para a Casa Branca em plena 3 horas da madrugada sobre uma ameaça imediata aos Estados Unidos. A imagem mostrava uma criança americana dormindo tranqüila e remetia para a Casa Branca. A mensagem vale mais do que mil palavras. Quem era de fato a candidata mais preparada para tomar a decisão certa sem cometer nenhum vacilo? Arrematando com a pergunta de quem é o candidato mais preparado para ser o comandante em chefe do país.
Horas depois os marqueteiros de Barack Obama contra-atacaram com uma versão quase idêntica e o argumento foi o de que ele havia tomado a decisão certa quando foi contra a guerra do Iraque, mas o ataque de Hillary foi mais contundente e eficiente, deixando a impressão de que o comando da campanha de Obama quis remediar ou minorar, mas o estrago já estava feito.
A campanha política americana, principalmente a destinada aos cargos majoritários, é digna de nota. Cheia de sutilezas e entrelinhas, segue o padrão altamente psicológico da publicidade nos Estados Unidos, onde o consumidor às vezes é abordado de forma direta e objetiva, ou é colocado para pensar e tirar a conclusão que o anunciante quer.
É notória a propaganda da campanha política entre John Kennedy e Richard Nixon. Com fama de mentiroso contumaz, os marqueteiros de Kennedy fizeram gigantescos outdoors onde havia a fotografia de Nixon e uma pergunta básica – Você compraria um carro usado deste homem? Não é preciso dizer que Kennedy ganhou a eleição.
Se afirmassem que Nixon era um mentiroso, seriam tidos como provocadores, mas se colocassem o povo para pensar e responder que não comprariam o tal carro usado de Nixon, pois ele era tido como um farsante, o seu objetivo seria atingido em cheio. Foi o que de fato aconteceu. Nixon se elegeria posteriormente e seria obrigado a renunciar por causa da mentira.
Foi abusando das sutilezas que os marqueteiros de Hillary, que anteriormente já haviam feito com que a pré-candidata chorasse nas prévias de New Hampshire para sensiblizar o voto feminino, passaram neste comercial.
O que importa é vender bem e adequadamente o produto, pois antes de alcançar o eleitor, há de se atingir o consumidor e é deste modo com que o cidadão que vai votar é visto. Neste caso não se tratava de simplesmente dizer que o produto – no caso Hillary, é o melhor, e sim o mais eficiente, é o que vai velar pela segurança enquanto a América dorme o sono dos justos.
Se a estratégia vai colar ou não só os próximos dias e prévias é que dirão, e o certo é que ao ganhar de Obama no dia 4, Hillary passou o recado que nada ainda está decidido em favor de nenhum dos dois candidatos, na mais disputada campanha para indicação das últimas décadas no Partido Democrata.
A ordem é não vacilar em momento algum e seguir explorando os possíveis pontos fracos do oponente, e neste instante Hillary parece ter menos que Obama. O show vai durar mais uns dias ainda até que a indicação seja assegurada pela maioria dos votos das prévias e dos convencionais.
Enquanto isto, o Partido Republicano já definiu John McCain que ganhou as prévias de Ohio, Texas, Vermont e Rhode Island no dia 4 e superou os 1.191 delegados – obteve 1.195. Agora vai esperar pelo candidato democrata, certamente com muito e competente marketing.