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1/30/2007 - 9:40

A queda dos homens fortes e o discurso do Bush fraco


Fonte: Agência BR NEWS

Jehozadak Pereira

O discurso do presidente George W. Bush na abertura do ano legislativo foi a personificação da derrocada republicana nas eleições do dia 7 de novembro. Bush foi tratado pejorativamente por alguns setores da imprensa americana como um cão com o rabo entre as pernas. A situação, principalmente, dos mais de 12 milhões de indocumentados é cada vez mais séria e desesperadora, pois apesar dos esforços do presidente George W. Bush em aprovar uma lei que beneficie tanta gente, os próprios republicanos trataram de boicotá-lo.

Partindo do ponto de vista bíblico – e cremos que tal ponto de vista tem que ser considerado – vemos repetir aqui o que está contido em Êxodos 22.21 – “O estrangeiro não afligirás, nem o oprimirás ; pois estrangeiros fostes na terra do Egito”. O estrangeiro tem sido oprimido nesta terra sem dó e nem piedade. Oprimido a partir do instante em que se nega a ele direitos elementares que lhe garantam um mínimo de dignidade e a esperança de dias melhores e sossegados.

Pode-se dizer que cada imigrante que está aqui por livre e espontânea vontade. Em parte isto é verdade, mas quem vem para cá, o faz porque não há nos seus lugares de origem a possibilidade de progresso financeiro e muitas vezes de dar a si e a família uma vida digna e justa.

Uma pergunta tem que necessariamente ser feita às autoridades americanas. Os Estados Unidos podem hoje viver sem a mão de obra proporcionada pelo trabalhador imigrante? Claro que não, pois setores inteiros da economia americana é carente e, portanto, dependente do trabalhador estrangeiro, pois o crescimento do mercado não é devidamente acompanhado já que não há mão de obra disponível nos últimos anos.

Logo, esta mesma economia que se vale da força de trabalho do imigrante, nega-lhe a mais elementar das necessidades – documentos. Diga-se que pagamos impostos diretos e indiretos todos os dias, pois como se sabe, aqui, o imposto é cobrado na fonte em qualquer compra que façamos, por menor que seja.

Logo, o trabalhador que labuta no dia a dia e paga compulsóriamente todos os impostos que lhe são cobrados, não é devidamente recompensado na outra vértice. Com isso, temos uma multidão de motoristas que conduzem os seus carros de modo indevido, pois sequer tem o direito de ter uma carteira de motorista. Imaginem se estes milhões de motoristas resolvessem não comprar carros ou não mais abastecer os seus carros? Parte da economia americana entraria em colapso no terceiro dia de boicote.

Além disso, há outra multidão de indigentes sociais sem acesso ao atendimento médico gratuito ou subsidiado pelo estado – lembrem-se que os impostos pagos são compulsórios, ou paga ou não leva a mercadoria. E o acesso à universidade? Aqui se repete uma outra mazela da sociedade nativa. Permite-se que o filho do indocumentado estude nas escolas de base, mas na hora de ir cursar o ensino superior, a porta é batida na sua cara de modo injusto e indecente, a exemplo do que é permitido ao motorista.

Ele pode comprar um carro, registrá-lo em seu nome, fazer o seguro – que não é barato, mas não pode dirigir, nestas que são algumas das contradições desta sociedade composta de gente insensível e fria. Gente que se julga forte e poderosa como os deputados republicanos que se recusaram a votar leis favoráveis aos imigrantes.

Por causa disso temos que voltar a buscar na Bíblia a resposta para a derrocada republicana. “Quebranta aos fortes, sem que se possa inquirir, e põe outros em seu lugar” – Jó 34.24. A presença de Bush no Congresso americano, tendo atrás de si Nancy Pelosi com um sorriso enigmático no rosto, era a verdadeira face da derrota republicana. Certamente a maioria democrata vai fazer Bush comer nestes dois anos que faltam para o fim do seu governo o pão que eles vão amassar. E bem amassado…
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