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5/15/2007 - 16:40

Aborto, uma questão pessoal


Fonte: Agência BR NEWS

Jehozadak Pereira

A velha questão do direito de abortar volta à tona com força e com manifestações pró e contra a prática. Até que ponto uma mulher tem o direito de abortar sem que o Estado interfira? Deve-se necessariamente excluir da discussão o aborto com finalidade comprovadamente médica – risco para a gestante, malformações graves no feto – e os que têm origem no abuso sexual e estupro. A partir daí, a questão passa a ser meramente moral e ética.

No Brasil, por exemplo, nunca se fez tanto aborto, mesmo sendo a prática proibida e criminalizada por lei federal. Lei que é burlada sistematicamente sem que nenhuma atitude seja tomada. Estima-se que no Brasil aconteça dois abortos clandestinos por minuto, o que totaliza 1,4 milhão por ano. O aborto é considerado a quarta causa de morte materna no Brasil, principalmente, entre a população de baixa renda.

O Supremo Tribunal Federal brasileiro discute com cientistas e especialistas em reprodução humana a questão do aborto, e por mais que debatam, uma conclusão parece estar distante.
Já nos Estados Unidos, quanto mais se discute, menos se chega a uma conclusão satisfatória ou coerente. Nos estados em que o aborto é legal, há filas de mulheres que querem deliberadamente abortar, mesmo com toda a pressão de religiosos e de entidades contrárias ao aborto.

Os abortos com recomendação clínica ou por motivos morais são ínfimos diante dos que são feitos por outras razões. Razões que invariavelmente envolvem descuido por parte de mulheres e homens que não usam nenhum método contraceptivo.

As estatíticas são assustadoras. Nos Estados Unidos, são feitos diariamente cerca de quatro mil abortos por dia e, a exemplo do que acontece no Brasil, a maioria por causa de gravidez indesejada, principalmente, pela mulher solteira que, por motivos sociais, opta por não ter o filho.

Os problemas oriundos são diversos e envolvem culpa, traumas diversos e, às vezes, seqüelas físicas irreversíveis. Com isso, se constata que se a mulher não quer e não está preparada para a gravidez decorrente de um relacionamento qualquer, menos ainda está para aguentar as conseqüências psicológicas de ter feito o aborto.

Mas como fica o direito da mulher de optar ou não por um aborto deliberado? É claro que ela tem sim o direito de decidir se quer ou não que o feto que carrega nasça. Mas e o direito a vida?


Bem, o direito a vida é inquestionável em todos os aspectos, principalmente, para quem não pediu para nascer e que é fruto da irresponsabilidade de pessoas que teoricamente deveriam saber o que fazer.

Permitir o aborto é uma acinte contra a vida, proíbi-lo é violar o direito que, em tese, uma mulher teria e ao mesmo tempo fomentar – principalmente no Brasil e em outros países que proíbem o aborto – uma indústria macabra e cada vez mais próspera, em que fetos são extirpados, às vezes, com violência e literalmente jogados no lixo, banalizando a vida humana. Valeria mais se as autoridades discutissem a questão no campo da moral e da ética, pois esta parece ser a única forma de constranger quem deliberadamente quer optar pela violência do aborto.

Ressalte-se que cada ser humano tem o direito de decidir o que quer e o que é melhor para a sua vida, principalmente, a mulher que por um descuído qualquer engravida e pratica o aborto, por isso deve saber sim, que tem o direito de fazê-lo, mas fica a pergunta – deve mesmo fazer?
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