A possibilidade de comprar uma casa continuará fora do alcance de milhares de norte-americanos, apesar da atual desaceleração dos preços de imóveis. De acordo com um estudo recente, essa constatação só será revertida se os salários das famílias de baixa renda aumentarem consideravelmente.
O número de famílias que destina 30% de seu rendimento para pagar os custos de sua casa chegou ao recorde de 37,3 milhões em 2005, segundo o informe do Setor Imobiliário Nacional. Este número representa um aumento de 20% desde 2001, quando as baixas taxas de juros ajudaram a impulsionar o setor imobiliário.
Segundo o documento, a melhor receita para diminuir os custos imobiliários é aumentar a renda das famílias, flexibilizar as regras para construir e aumentar o gasto do governo na implementação de projetos pela casa própria.
Essas mudanças provavelmente não acontecerão a curto prazo e, por este motivo, muitos norte-americanos ficarão fora do mercado de imóveis por algum tempo.
A afirmação é de Nicolas Retsinas, autor do estudo e diretor do Centro Conjunto de Estudos Imobiliários da Universidade de Harvard. “Os preços dos imóveis estabilizaram, mas não vemos mais pessoas comprando suas casas. A recente alta das taxas hipotecárias aumentará os desafios para adquirir uma propriedade”, completou.
Além disso, a recente crise no mercado hipotecário de risco implica que os devedores com um histórico de crédito com problemas não poderão investir no setor, o que prolongará ainda mais a desaceleração do setor e dificultará o acesso à casa própria.
Ainda que a compra de um imóvel esteja cada vez mais difícil para muitos americanos, o mercado está cheio de casas à venda. Para se ter uma idéia, de 2005 até hoje, mais de 500 mil residências foram colocadas à venda.
No final de março, a porcentagem de casas vazias e à venda subiu pelo décimo trimestre consecutivo a um recorde de 2,8%, segundo cifras oficiais. O informe não faz previsões sobre quando acabará a atual desaceleração do mercado, mas sustenta que os fortes fluxos imigratórios melhorarão o panorama a longo prazo.
Os imigrantes contribuem com o crescimento de algumas regiões e poderão ocupar mais espaço na sociedade, ajudando a movimentar o mercado imobiliário ao decidirem investir no setor.
Casas usadas: preço cairá 1,4% até o final do ano.
A Associação Nacional de Agentes Imobiliários dos Estados Unidos prevê uma queda de 1,3% no preço médio de casas usadas até o final do ano. As casas novas poderão valer até 2,3% menos.
O informe adverte ainda que a venda de casas usadas caiu 4,6% e as novas, 18,1%. O número de casas iniciadas em 2007 será 20,5% menor que do ano anterior. Especialistas acreditam que esses índices melhorarão em 2008, quando espera-se uma recuperação do setor.