Fonte: Agência BR NEWS
Os europeus chamaram a América de Novo Mundo, e viram a oportunidade de refazerem as suas vidas abaladas por guerras, crises e falta de perspectiva. Gente de diversos países viram na imigração a chance de sair da crise e ter uma vida melhor e mais digna para os seus filhos.
Carente de mão de obra – um eterno problema da América – o novo continente acolheu a todos e as marcas culturais podem ser vistas até hoje. Irlandeses, italianos, portugueses, gregos, poloneses, albaneses, espanhóis, alemães e ingleses, sem contar os asiáticos – principalmente, os chineses, desembarcaram e se espalharam pelo país afora. A imigração de mexicanos é um capítulo a parte, talvez pela proximidade dos dois países fronteiriços, que imprimiu aos estados da Califórnia, New Mexico, Arizona e Texas uma identidade cultural que permanece até os dias atuais.
A vida de todos foi e é dura até hoje, o que nunca desestimulou o êxodo de novas pessoas, mesmo tendo que viver num processo de ilegalidade e da falta de documentos. O que era e é importante é a oportunidade de trabalhar e ganhar.
Cada povo buscou e achou o seu lugar na sociedade americana, superando a barreira do idioma, do frio, da saudade, da privação e outras barreiras que surgiam a toda hora. Hoje, há nacionalidades que estão na quarta ou quinta geração, o que significa que vieram para ficar de vez em terras americanas.
Só que as dificuldades que a nova leva de imigrantes enfrenta hoje é sem precedentes. A começar pela sistemática negativa das autoridades federais em promulgar uma – definitiva – legislação que permita aos estimados 12 milhões de indocumentados respirarem aliviados.
Sem contar o forte sentimento antiimigrante que toma conta das ruas e cidades americanas, talvez porque hoje a presença do imigrante seja mais notada do que no início do processo imigratório para os Estados Unidos.
Certamente grande parte desta rejeição começou em setembro de 2001, com o atentado contra o World Trade Center, considerado o maior da história do terrorismo. Todo mundo sabe que foram imigrates de origem árabe que cometeram por fatores políticos e religiosos o assassinato de mais de três mil pessoas.
O forte sentimento antiimigrante fez com que ressurgisse as milícias, que estavam desaparecidas desde a Guerra Civil americana, principalmente nas regiões da extensa fronteira com o Mexico.
O atentado paralizou por completo qualquer iniciativa dos governantes em discutir qualquer projeto de legalização de indocumentados, apesar de todos os esforços do presidente George W. Bush. Em 2006, chegou-se perto de um acordo, que foi barrado pelos representantes republicanos, que ainda propuseram criminalizar a imigração ilegal.
Mas isto não arrefeceu os ânimos e a vontade de que novos imigrantes tentassem entrar na América em busca do sonho dourado de ganhar em dólares e de novas oportunidades. Até que o Mexico passasse a exigir visto prévio, e finalmente a Guarda Nacional fosse designada a patrulhar a fronteira, o que não desestimulou novas tentativas.
É certo que o tráfico e a passagem de imigrantes indocumentados não cessou de vez, mas diminuiu a níveis sem precedentes, de gente que tal como os europeus e asiáticos buscou na América novas oportunidades.
Hoje, as oportunidades são maiores, principalmente na área tecnológica, muito mais carente e com demanda reprimida de vagas, do que em trabalho braçal. A Califórnia, por exemplo, absorve todo profissional de tecnologia de computadores que chega por lá. O Vale do Silício hoje é cada vez mais dos profissionais de origem indiana, o que mostra que a América foi, é e vai continuar sendo uma terra de oportunidades, mesmo negando sistematicamente o direito de legalização a quem se aventura a vir para cá.