Fonte: Agência BR NEWS Da Redação
Mais uma vez, a comunidade é vítima de pessoas inescrupulosas que agem com o intuito apenas de se aproveitar da situação em que vivem os brasileiros nos Estados Unidos. Uma propaganda que oferece empréstimos, publicada em diversos jornais brasileiros, inclusive no National, é um golpe aplicado por alguém ou um grupo que está no Brasil, possivelmente, na região de Belo Horizonte.
Os diretores do National desconfiaram de que o anúncio era uma fraude após receber alguns telefonemas de leitores que foram vítimas do golpe. Um deles concordou em relatar o episódio ao jornal com a condição de que não publicássemos nenhum dado que pudesse identificá-lo. Sendo assim, chamamos de X o nosso personagem.
Em abril passado, ao ver a propaganda no National, X ligou para o telefone anunciado com o objetivo de obter um empréstimo para ajudar uma amiga que precisava de tratamento médico. Na propaganda, o golpista oferece empréstimos de R$5 a R$ 500 mil, que podem ser pagos em até 60 parcelas. O anúncio diz ainda que o empréstimo pode ser feito tanto para “pessoa física ou jurídica, sem consulta do Cerasa/SPC. Liberação imediata, sem burocracia”.
X foi atendido por um homem que o informou que para emprestar o dinheiro, a empresa precisava de um seguro no valor de 5% da quantia solicitada. “ele me explicou que o seguro servia como um “cheque calção”, que seria usado caso as parcelas mensais não fossem pagas corretamente”, conta.
O homem pediu a X que enviasse a quantia para o Brasil pela Western Union e, assim que o seguro fosse retirado, o empréstimo seria mandado diretamente para a sua conta. Para que a transação fosse feita, X forneceu ao homem seu endereço, número de conta bancária, número do passaporte e telefones para contato.
Ao enviar o valor solicitado como seguro, X ligou para o homem para informá-lo o código de retirada do dinheiro e ficou aguardando o depósito ser feito na sua conta no mesmo dia, como prometido.
“Olhei a conta e o dinheiro não estava lá. Liguei e ele disse que houve um problema no computador, mas que no dia seguinte o dinheiro estaria na minha conta. Olhei a conta no outro dia e o dinheiro não estava. Liguei de novo, mas aí a pessoa que me atendeu já deu outro nome. Mas eu desconfiei que a voz era a mesma do primeiro homem”, lembra.
Já desconfiado de que poderia estar sendo enganado, X insitiu para falar com o primeiro homem que o atendeu. “Ele começou a me ameaçar. Disse que tinha capangas nos Estados Unidos e que eu poderia ser deportado”, conta.
Certo do golpe e com medo por ter fornecido número de passaporte e endereço, X ligou para a Polícia Federal no Brasil e para a Delegacia de Defraudações de Belo Horizonte. “Expliquei o caso, mas eles já sabiam. Não fui a primeira vítima. Eles disseram que estão investigando, mas que precisam de mais informações”, diz.
X passou todos as informações sobre a suposta empresa à polícia, como os nomes das pessoas com quem falou e até o endereço onde estaria a empresa. Possivelmente, tudo falso.
“A Polícia Federal disse que eles (golpistas) não podem fazer nada com o número do passaporte. Na delegacia disseram que não não há o que fazer em relação às ameaças já que estou nos Estados Unidos”, fala X.
“A perda de dinheiro não foi muita, mas a dor de cabeça, decepção chateia para caramba. A gente trabalha à beça e vem um camarada aí e faz um negócio desse. Fiquei vários dias chateado com isso. Não desejo isso a nínguém”, lamenta. Para alertar a comunidade, X aconselha: “nunca acreditar em anúncio de jornal, de preferência, nos brasileiros. Pensar dez vezes antes e jamais fazer qualquer coisa sem saber o nome da firma, sem ter alguém que a conheça, para não cair numa fria”.
Ao entrar em contato com o Departamento Comercial do National para colocar o anúncio, a pessoa que ligou se identificou como Hugo Xavier e forneceu o mesmo telefone que está na propaganda.