A crise imobiliária que se abateu sobre a economia americana no fim do ano passado continua assustando e apavorando. Na terça-feira, 15, foi anunciado o prejuízo de US$ 9,83 bilhões no quarto trimestre de 2007 pelo Citigroup Bank, além de se constatar que as vendas do comércio na época de Natal foram menores do que o esperado.
Com o anúncio do prejuízo do Citigroup Bank, as bolsas de valores do mundo inteiro despencaram, num claro sinal de que o golpe foi sentido.
As evidências de que a crise definitivamente se instalou, é a constatação de que o dinheiro sumiu mesmo, e até quem não pagava deixou de fazê-lo. Com isto é de se esperar que empresas quebrem, companhias fechem as portas e o desemprego aumente, o que pode ser confirmado com a divulgação do índice em 7,4% - o maior dos últimos anos.
Analistas estimam que a recessão bate à porta da economia americana em decorrência da crise imobiliária que ameaça levar para o buraco os grandes conglomerados financeiros da América e do mundo, já que o dinheiro de todo mundo circula virtualmente pelos mercados cujas fronteiras não podem ser demarcadas.
Em época de bonança todo mundo ganha, mas em época de tempestade todos perdem, especialmente os grandes que contabilizam os seus prejuízos na casa dos bilhões de dólares, como é o caso do Citigroup Bank. Especula-se que outros bancos estão na mesma situação e basta um deles quebrar para que outros o façam, no famoso efeito dominó.
A indústria automobilística americana amarga os maiores prejuízos e crise da sua história porque não pode competir com os custos das suas congêneres mundiais, como a japonesa e coreana, que constroem carros mais resistentes e mais baratos, e por causa disto têm demitido como nunca.
Só na região de Detroit, a capital americana do automóvel, no ano passado quase 80 mil vagas foram extintas ou os empregados demitidos. Não há nenhum sinal de que elas voltem a ser preenchidas nos próximos meses, e a indústria automobilística não tem sido a única a demitir funcionários ou extinguir vagas para enfrentar a crise.
O debate sobre a economia já está presente nas pré-campanhas para presidente da república, e cada um dos candidatos tem a – sua – solução mágica para a crise. Resta saber se elas são viáveis e factíveis.
Há quem diga que a crise imobiliária que gerou a crise maior era esperada e prevísivel, pois o próprio mercado que sempre se regula, não podia suportar que os preços das casas fossem elevados artificialmente do modo que foram. Sem contar que depois de um tempo pagando em dias as prestações, os próprios bancos e financeiras refinanciavam as propriedades permitindo que os donos dos imóveis colocassem dinheiro no bolso. O risco para as instituições financeiras era enorme, as hipotecas eram todas de alto risco, e mesmo assim permitiu-se que sacassem dinheiro sem lastro, que teoricamente seria usado para o aquecimento da economia, mas que na realidade serviu para acentuar o endividamento do consumidor, que via de regra não sabe o que fez com o dinheiro, pois ele literalmente evaporou, ao passo que a dívida aumentou assustadoramente.
A solução foi devolver o imóvel, o que aumentou o estoque de casas em poder dos bancos e financeiras, estimados em 350 mil unidades no final do ano passado. É muito dinheiro parado, e é justamente este dinheiro que faz falta neste instante e que causa o susto e as apreensões em todo mundo.
Que o mercado vai se aquecer novamente é uma questão de tempo, resta saber quando e se as instituições vão suportar até lá. O alento é que já existe um movimento de investidores – particulares na sua maioria – que têm dinheiro para comprar estes imóveis na baixa para investimento futuro, sinal de que o dinheiro não sumiu em todos os lugares.