Definitivamente a América é uma nação repleta de contradições e fatos que surpreendem a cada dia. As programações de televisão são repletas de programas de todos os tipos. Desde o consagrado e esperado American Idol, seriados variados e realty shows de todos os tipos, desde o sempre mau-humorado Paul Teutul Senior com suas tiradas corrosivas e suas motocicletas maravilhosas, até os que retratam decadentes de Hollywood e do show business, incluindo aí os exibicionistas que manipulam animais selvagens, com preferência para serpentes venenosas e de riscos diversos.
Sem contar a eterna predileção pelo fuxico e pela fofoca que cerca a vida das celebridades, hoje muito mais exposta por causa dos papparazis que não dão trégua e sossego. Tudo vira notícia de um momento para outro.
Tem também os de furiosas perseguições policiais que terminam invariavelmente com o motorista preso por oficiais raivosos, ou então fazem o maior escarcéu quando apanham algum bêbado mais afoito. Sem contar os policiais que ficam escondidos à espreita de algum motorista que resolve andar mais rápido que o permitido e se dá mal. Nas ruas da América, todos os dias milhares de motoristas são parados, multados e presos por infrações menores no trânsito, que transformam a indústria das multas e penalidades num negócio bilionário a cargo do estado, que educa, mas reprime e penaliza sem a menor consideração.
Mesmo com um estado repressor, os Estados Unidos são um dos lugares do mundo onde mais se praticam fraudes de todos os tipos. Roubo de identidade, fraudes contra instituições bancárias e principalmente seguradoras, operadoras de cartões de crédito, ou de falsas instituições de caridades que arrecadam milhões de dólares, mas não distribuem um centavo sequer.
É certo que cada vez que um crime deste tipo é descoberto e se consegue prender os seus autores, eles passam uma boa temporada na cadeia; tempo sufuciente para refletir no que fizeram.
É interessante notar que a mesma sociedade que assiste a tudo isto, e que não tolera uma infração qualquer no trânsito ou que vigia a vida dos famosos faça a fama de alguns programas de gosto duvidoso e transformem os seus protagonistas em celebridades. Tempos atrás, Don Imus, um radialista branco que trabalhava na rede CBS, num ataque de verboragia explicíta, resolveu xingar as jogadoras de basquete da Rutgers University de New Jersey. O time que é composto de jogadoras negras que foram ofendidas, pelo radialista que perdeu o emprego e os patrocínios que tinha por causa disto.
Há algumas semanas foi a vez de Duane “Dog” Chapman, um caçador de recompensas, que é o astro de um programa televisivo. A figura de “Dog” Chapman, da sua mulher e companhia é digna de nota. A impressão que se tem é a de que tanto Chapman quanto a sua mulher esgotaram todo o estoque de água oxigenada da farmácia mais próxima para usá-la nos cabelos. Ambos são um espetáculo a parte, por causa da soberba, da arrogância e da prepotência que empregam na caça de fugitivos das cortes americanas. Além de se vestirem de forma espalhafatosa e única.
“Dog” Chapman derrapou na gramática ao tecer comentários racistas sobre a namorada negra do seu filho Tucker, numa gravação telefônica que foi divulgada. Mesmo pedindo desculpas e dizendo que não é racista ou preconceituoso, o seu programa deixou de ser veiculado pelo canal A&E que cancelou a série toda. A exemplo do que já havia acontecido com Don Imus, patrocinadores cancelaram os seus contratos com “Dog” Chapman, principalmante para não perderem consumidores dos seus produtos, e nem para ter a sua imagem ligada a racistas e preconceituosos.
Perdulária, permissiva, contraditória e conservadora. Esta é a melhor definição que se pode ter da América, que aplaude ao mesmo tempo em que condena e deixa de bancar gente do calibre de Imus e Chapman.