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8/2/2007 - 12:4

As tragédias do cotidiano


Fonte: Agência BR NEWS

Jehozadak Pereira

Abruptamente, a morte chegou para quase 200 pessoas deixando para os seus parentes choro, rancor, frustração e dor. Há ainda a possibilidade de que alguns corpos jamais sejam identificados, além das inúmeras possibilidades e hipóteses para o acidente, fazendo pensar que as razões verdadeiras jamais serão reveladas. A certeza é a de que mais uma tragédia tomou conta das vidas dos parentes e amigos de um modo sem precedentes.



E assim, de tragédias em tragédias cada vez mais inexplicáveis, é que o mundo vai caminhando num passo cada vez mais apressado. Para muitas coisas não há retorno, e mesmo com tanta modernidade e progresso os mortos são contados às centenas, quando não aos milhares.

Mesmo nos Estados Unidos há tensões raciais que volta e meia são lembradas por todos. Um exemplo disto foi a destruição de New Orleans pelo furacão Katrina. A população da cidade e arredores é constituída na sua maioria por negros, e as autoridades federais, entre elas o presidente George W. Bush, foram acusadas de não agir com rapidez por causa de racismo e preconceito.

Que Bush demorou para agir não há dúvidas, mas ninguém levou em consideração que montar do nada uma gigantesca operação de resgate do porte da que foi colocada em prática não é nada fácil. O que as pessoas querem nesta hora é uma palavra de alento e conforto, e é aí que a coisa pega para Bush que, ao que parece, não tinha a dimensão exata da tragédia.

Em junho de 1960, um grupo de fanáticos racistas da Ku Klux Klan matou, no Mississippi, três ativistas dos direitos dos negros. Depois de investigações do FBI, eles foram presos e condenados a penas variadas. Em junho de 2006, o líder do grupo, Edgar Ray Killen, 80 anos, foi condenado a 60 anos de prisão. Ex-pastor batista e nem um pouco arrependido, Killen mostrou arrogância ao ser levado da Corte para a prisão estadual numa cadeira de rodas, e seus amigos declararam que ele se sentia injustiçado pela medida. Dias depois, foi libertado da prisão mediante o pagamento de uma fiança de US$ 600 mil, devidamente arrecadada por amigos e por pessoas que pensam exatamente como ele: que os negros têm de ser exterminados, como foram os ativistas em 1960.

A intolerância e o ódio são binômios letais que andaram juntos no passado, andam no presente e estarão de mãos dadas no futuro. Serão sempre os argumentos que permitirão matar impunemente como em Ruanda, nos atos terroristas, e até darão as razões que os racistas do Mississippi desde sempre buscaram – e somente não o fazem hoje por causa da pesada mão da lei, que os esmagou e está alerta para os açoitar quando necessário for.

O que choca mesmo é o sorriso de escárnio do coronel sudanês perguntando ao mundo qual deveria ser a sua atitude com o seu inimigo? Será que é pior do que o debochado de Ray Millen, afrontando o júri como que dizendo “eu mandei matar uns pretos sim, e daí? Mataria mais se fosse possível”. É o que demonstra a atitude dos que financiaram a sua liberdade. É o recado silencioso e agressivo que eles mandam para a sociedade. Pagaram para que Killen saísse da prisão não por motivos humanitários, e sim porque se identificam com os seus atos e opiniões. Mas o pior mesmo é a atitude do funesto associado de Bin Laden, que emitiu uma nota rejubilando pela destruição de New Orleans.

O que dizer do escárnio de algumas autoridades brasileiras diante da crise do setor aéreo? Primeiro, falam bobagens e, depois, se desculpam dizendo que o que foi repercutido foi tirado de um contexto. Tragédias, tragédias, tragédias. Até quando? São coisas deste tipo que nos fazem perguntar sempre: por que tem que ser assim?
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