Automedicação: prática perigosa e comum entre os brasileiros
Fonte: Agência BR NEWS Glênio Bongiolo
Nos Estados Unidos, onde os brasileiros vivem num ritmo alucinado, com dois ou três trabalhos num único dia, ninguém pode ficar doente. O imigrante, ao sentir um mal estar, prefere visitar a lojinha brasileira mais próxima, ao invés de procurar tratamento médico adequado.
A prática da automedicação se popularizou e, onde antes as pessoas compravam apenas remédios para doenças simples, como gripe e dor de cabeça, hoje é possível encontrar uma diversidade de produtos farmacêuticos. O que muita gente não sabe é o tremendo risco que correm.
Um dos casos mais graves vêm ocorrendo na região de Massachusetts, onde um coquetel de drogas usado para emagrecimento levou diversas pessoas ao hospital. O medicamento, conhecido entre as jovens da região por “veneno de rato” chega a garantir o emagrecimento de até 10 kilos em apenas duas semanas.
Juliana Dileuma foi uma das pessoas que usou o remédio. “Eu estava preocupada, pois tinha dado aquela engordadinha básica que todo mundo passa quando chega por aqui, só comendo porcaria e sem tempo de malhar. Fiquei sabendo de uma amiga que tinha usado este remédio e tinha perdido peso. Eu comecei a usar, e logo comecei a sentir palpitações. Por medo, eu parei na hora.”, conta.
Dileuma mal sabia que estava correndo um tremendo risco. Segundo um estudo, o medicamento contém 17 drogas diferentes, entre anfetaminas, calmantes, hormônios, laxantes, diuréticos e cafina. Em uma matéria realizada pela rádio local WBUR, o repórter Allan Coukell entrevistou um brasileiro que, após utilizar a droga quase morreu. “No começo, eu perdi o apetite e meu estômago doía, mas naquele nosso ritmo, eu preferi deixar passar. Duas semanas depois, eu estava dando entrada no hospital, tendo um infarto.”, contou o imigrante que se identificou como Paulo.
Além de riscos de infarto, o medicamento também tem um alto potêncial de dependência, deixando as pessoas viciadas no uso de anfetaminas. Além disso, o uso de hormônios pode causar diversos problemas, especialmente para as mulheres. Além de remédios para emagrecimento, as brasileiras também têm o hábito de comprar pílulas anticoncepcionais nas lojinhas brasileiras. “Eu sempre tomei a pílula lá no Brasil e nunca tive problema”, conta Maria Soares, de Marlborough.
“Quando cheguei aqui, fiquei sabendo que o dono da loja brasileira trazia remédios do Brasil. Ele não tinha da mesma marca que eu tomava, mas me mostrou outra que eu venho usando faz 1 ano e meio.”. O uso de anticoncepcionais sem prescrição médica é muito perigoso, e pode trazer diversos problemas hormonais, além de aumentar a chance de câncer e de ataques cardíacos.
Antiinflamatórios e antibióticos também são fáceis de serem encontrados, bastando o imigrante perguntar em duas ou três lojas. Paulo das Nunes, de Acton, diz que freqüentemente sente dores de dente, e para isso usa um antiinflamatório comprado em uma lojinha. “Eu não tenho nem tempo, nem dinheiro para ir no dentista.
Quando eu chegar no Brasil, eu resolvo”. “Um dos riscos de usar medicamentos sem controle é que acabamos criando resistência à ação, especialmente quando estamos falando de antibióticos.”, explica o Dr. Morgado Filho, da Santa Casa de Misericórdia, em Curitiba. De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas (Abifarma), todo ano cerca de 20 mil pessoas morrem no Brasil, vítimas da automedicação.