Resistente a antibióticos convencionais, bactéria causa aproximadamente 94 mil infecções anualmente no país
Uma bactéria resistente a remédios, que se propaga rapidamente, poderá causar mais mortes que o HIV, segundo um estudo recente do Centro de Controle e Prevenção de Doenças norte-americano. O micróbio denominado “staphylococcus aureus” é resistente a antibióticos tradicionais e causa aproximadamente 94 mil infecções graves por ano e quase 19 mil mortes nos EUA.
Transmitido por simples contato, o germe pode transformar as infecções de pele pequenas em problemas graves. Há casos até de necrose, de acordo com a pesquisa publicada pela revista "Journal of the Medical Association".
A infecção se propaga mais facilmente em hospitais, casas de cuidados médicos, prisões e em escolas, e a contaminação acontece principalmente através de contato direto com objetos que contêm a bactéria. A melhor maneira de prevenir é lavando as mãos com frequência e utilizando roupas limpas.
A bactéria se manifesta como uma infecção de pele, em forma de espinhas e furúnculos, em alguns casos com drenagem de fluidos. A infecção por Staphylococcus aureus em geral pode ser resolvida rapidamente com certos tipos de antibióticos, mas em alguns casos o micróbio entra nos pulmões, provocando pneumonia, ou se estende aos ossos, órgãos vitais e ao sangue, apresentando complicações que ameaçam a vida dos pacientes.
Escolas em alerta
Vários casos de contaminação pela bactéria foram relatados em escolas norte-americanas. Ao menos oito estudantes de New Jersey foram diagnosticados , sendo que quatro casos foram confirmados na parte norte do Estado. Autoridades da escola Christopher Columbus de Clifton, confirmaram que recentemente um estudante foi tratado com antibióticos especiais para combater a infecção. Carol Prawetz, enfermeira, disse que o caso recebeu o tratamento adequado e John Biegel, funcionário do departamento de saúde local afirmou que o relatório das análises de laboratório do estudante apontou que “a infecção do jovem não era contagiosa”.
Na sexta-feira, 19, a escola Regional Norman Bleshman, de Paramus, foi fechada temporariamente depois de tomar conhecimento de que um estudante de 19 anos foi hospitalizado para tratar a infecção. Outro estudante da escola superior de Hillsdale também foi diagnosticado com a mesma bactéria. As instituições de ensino alertam que vêm tomando todas as precauções, como limpeza e desinfecção das dependências, para evitar novas contaminações.
Noemi del Toro, 51 anos, acredita que foi infectada pela bactéria no ônibus. Ela, que está passando por tratamento médico, conta que tudo começou com o que parecia uma picada de mosquito que se multiplicou pelo corpo, provocando dor. “No começo pensei que era por causa do calor que passo no ônibus, pois não temos ar-condicionado, até que vi as notícias e imaginei que estaria com a bactéria”, afirmou.
Segundo especialistas, pelo menos 90 mil pessoas se contagiam com essa infecção anualmente. O alerta sobre a bactéria ganhou maior projeção na semana passada, quando um estudante jogador de futebol de 17 anos da Virgínia morreu em decorrência da infecção.