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4/3/2007 - 13:35

Bandeira brasileira volta a ser alvo de discriminação


Fonte: Agência BR NEWS

Glênio Bongiolo

Em janeiro do ano passado, duas comerciantes brasileiras da cidade de Maynard, Massachusetts, receberam cartas anônimas, exigindo que elas retirassem suas bandeiras brasileiras da frente dos seus estabelecimentos ou estariam sujeitas à multa e a ação penal. Dois meses depois, após muita cobertura por parte da imprensa americana e brasileira (com direito a matéria no Fantástico, da Rede Globo), as duas comerciantes acreditavam que o episódio tinha ficado no passado.

Esta semana, porém, a loja Brasil Popular e o centro estético Janett’s Hair Design receberam a visita de um grupo que se intitula “North American Freedom Fighters – NAFF”. Este é o nome que estava em um dos cabeçalhos das duas cartas recebidas pelas comerciantes. “Eles chegaram em cinco pessoas, todos vestidos de preto, com um símbolo de uma caveira nas costas. Dois deles ficaram do lado de fora, e três entraram no salão”, conta Patrícia, uma das cabeleiras do Janett’s. “Eu achei que eles eram de algum tipo de fiscalização. Eles entraram e, falando alto, perguntaram quem era a dona. Como ela não estava, entregaram um envelope para outra funcionaria e disseram: “Certifique-se que ela leia isto”. Depois eles foram saindo, encarando a gente.”

O envelope continha uma carta, em papel timbrado com a bandeira americana, e o logo da instituição: uma crânio com duas pistolas cruzadas atrás. Nela a organização acusa as comerciantes de forjarem os documentos e denegrirem o nome da NAFF, ao acusá-la de enviar as cartas em janeiro. O grupo nega o envio das mesmas, mas faz questão de deixar claro que acredita que somente três bandeiras deveriam ser expostas em solo americano: a nacional, a estadual e a dos prisioneiros de guerra (POW). Eles exigem que as comerciantes se desculpem publicamente, através das TVs e jornais que relataram o incidente em janeiro, ou entrarão com uma ação na justiça. A carta vem assinada por Douglas Paul.

Dulce Melo, dona da Brasil Popular, considerou o acontecimento absurdo: “Nós nunca afirmamos que foram eles que mandaram as cartas, sempre dissemos que elas eram anônimas. Nós nem sequer sabíamos da existência desta instituição. Mas se eles estivessem mesmo interessados em resolver este problema, teriam vindo aqui conversar com a gente, para tentar descobrir o responsável. Não mandariam uma tropa de brutamontes; eles claramente queriam nos intimidar.”

Um frequentador da loja, ao saber do caso, comentou: “Imagine se eu recebo uma carta dizendo que é da Coca-Cola, e que se eu der meu número de Social-Security, eles vão me mandar um cheque de 1 milhão de dólares. É claro que eu vou ver que uma fraude. Agora, se eu chamar a imprensa e explicar o caso, não faz sentido que a Coca venha me processar, e é exatamente isso que estes caras estão querendo.”

O ocorrido gerou um certo medo e desconfiaça por parte dos trabalhadores dos estabelecimentos. Uma das cabelereiras do salão Janett’s disse estar apreensiva, e que na hora de ir embora, imagina se não vai ser atacada por alguém com uma jaqueta com uma caveira nas costas.
Patricilia Melo, filha de Dulce, cogitou levar o caso à polícia, mas mudou de idéia ao conversar informalmente com um policial da região: “Ele me disse que não teria muito o que fazer, uma vez que estas pessoas não cometeram nenhuma infração. Mas pensamos que pode ser importante, caso no futuro alguma outra coisa aconteça: depredarem a loja ou atacarem algum brasileiro.”

A redação do National tentou localizar os membros da NAFF para entrevistá-los, mas a carta não contém nenhum endereço de contato ou telefone. Uma pesquisa na internet não trouxe nenhum resultado, nem com respeito a organização, nem com relação à pessoa que assina a carta, Douglas Paul.

Além de exigir desculpas, a carta também explica os sentimentos dos membros da organização. Segundo eles, a NAFF é uma instituição sem fins lucrativos que celebra o orgulho americano. Eles acreditam que nenhuma bandeira internacional deveria ser hasteada em solo americano. Embora não seja contra a Constituição, eles acreditam que isso humilha o povo americano e seus heróis de guerra. A carta faz uma longa explanação de como os heróis de guerra são responsáveis pela liberdade que os imigrantes podem aproveitar nos dias de hoje.

“Eles falam dos heróis de guerra, mas esquecem que muitos destes combatentes eram imigrantes, ou filhos de imigrantes. Na América, a não ser que você seja descendente de índio, você é descendente de imigrante. É exatamente isso que faz este país tão forte e interessante.”, comentou Luciano Lacerda, um morador da região. “É muito perigoso quando grupos surgem querendo fazer com que todo mundo pense igual e levante as mesmas bandeiras. Nós tivemos exemplos terríveis deste tipo de pensamento no século passado, o nome disto é fascismo.”, finalizou.
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