Fonte: Agência BR NEWS Da redação com agências
Grupos de defesa pró-imigrantes divulgaram recentemente um relatório que aponta a barreira do idioma como principal entrave para o acesso aos serviços de moradia disponíveis na cidade de Nova York. Muitos estrangeiros vivem em condições deploráveis, mas não recorrem à agência de inspeção imobiliária municipal por desconhecimento ou por dificuldades de comunicação.
O estudo conclui que, em Nova York, pessoas com inglês limitado estão mais vulneráveis a viver em casas com problemas, principalmente, porque desconhecem seus direitos de inquilino e não sabem como acessar os serviços públicos. Isso faz com que comunidades que moram em regiões com grande número de estrangeiros, como Chinatown e Lower East Side, recorram menos aos serviços públicos do que pessoas que vivem em outras partes da cidade.
Dados do Departamento de Preservação e Desenvolvimento da Moradia (HPD, por sua sigla em inglês) indicam que o número de queixas por problemas imobiliários aumentou 60% entre 2001 e 2005, graças à criação da linha 311; no entanto, as comunidades imigrantes não acessam o serviço devido à barreira do idioma. Sofrendo em silêncio O informe observa que o número de inquilinos que não fala inglês aumentou nos últimos anos, mas a qualidade das casas não melhorou. Muitos vivem em condições insalubres, em imóveis que apresentam problemas sanitários e de infra-estrutura.
Em 2006, constatou-se que apenas 18% dos imigrantes registrou queixa no departamento de moradia municipal. Uma parte ainda prefere recorrer a entidades que falam seu idioma nativo, quando se vêem com problemas no imóvel locado. É o caso, por exemplo, de uma mulher que pediu ajuda a uma organização pró-imigrantes por verificar diversos problemas em seu edifício, como uma porta principal insegura que favorecia a ação de marginais, e elevadores quebrados.
Assim como ela, 62% dos imigrantes não sabem da existência do departamento nova-iorquino e, ainda que alguns saibam, a maioria prefere recorrer a organizações que falam seu idioma para obter orientação sobre o procedimento adequado a ser adotado.
Zhi Qin Zheng, líder da União de Inquilinos de Chinatown, conta que viveu por 20 anos em condições precárias, até que finalmente soube que havia uma agência governamental que poderia me ajudar. Hoje, ele divulga os serviços públicos para outros imigrantes e defende que o acesso da agência municipal seja mais amplo.
A responsabilidade da cidade
O Departamento de Moradia nova-iorquino rebateu as críticas dos grupos de defesa de imigrantes, alegando que dos 400 inspetores imobiliários que trabalham na cidade, 254 são bilíngües em 30 diferentes idiomas, e 89 falam espanhol. A agência disse, ainda, que os inspetores têm acesso a um serviço de tradução por telefone em 150 línguas, para atender pessoas que não falam inglês, e desenvolverá novos projetos para se aproximar da comunidade imigrante que vive na cidade.
Grupos de defesa dizem, no entanto, que tudo isso funciona na teoria, mas na prática os imigrantes esbarram em dificuldades, pois a maioria dos inspetores não está preparada para atender estrangeiros.
Para reduzir esse problema, eles solicitaram ao prefeito Bloomberg e ao Departamento de Moradia que sejam implementadas políticas que melhorem o alcance dos imigrantes aos serviços públicos, produzindo, por exemplo, materiais de divulgação no idioma dos maiores grupos imigrantes. Defensores sugerem, ainda qualificar inspetores imobiliários para ajudar os moradores de outras nacionalidades.