Moradora de Framingham teria usado combustível para atear fogo no namorado.
Uma brasileira que reside em Framingham (MA) foi presa sob acusação de ter ateado fogo em seu namorado, na quinta-feira, 27. Após o incidente, ela chamou a polícia, alegando que o companheiro estava bêbado e tinha se queimado sozinho.
Rosilandy F. DeSouza, 25, morava com José dos Santos e, segundo testemunhas, tinha desentendimentos frequentes com o companheiro. O irmão da brasileira, Caciano Neto, de 41 anos, morador de Marlborough, também foi preso. Ele teria ameaçado a família do cunhado, caso eles procurassem a polícia.
De acordo com a procuradora Jennifer Snook, da corte distrital de Framingham, Rosilandy jogou combustível no corpo do namorado e ateou fogo com o auxílio de um isqueiro.
O juiz Douglas Stoddart determinou a prisão preventiva da brasileira, sem fiança. Uma audiência prevista para esta semana avaliará se ela poderá ter a pena minimizada. Mesmo que seja solta, Rosilandy deverá ser entregue à custódia federal, por ser imigrante ilegal.
Versões contraditórias
Segundo informações do porta-voz da polícia Paul Shastany, às 2:13 a.m. de quinta-feira, 27, a brasileira discou 911 e disse que seu marido, José dos Santos, tinha bebido o dia todo e não estava bem de saúde.
Quando o oficial Marty Keith chegou, Rosilandy estava na companhia de seu filho de 10 anos, fora de casa. No momento que viu os oficiais, avisou que seu companheiro havia ateado fogo contra si próprio. Keith entrou na casa e viu a vítima na sala. “Ele teve queimaduras na face e nas mãos. A vítima estava pedindo ajuda. O oficial tentou perguntar a ele o que tinha acontecido, mas ele não conseguiu responder. Ele pedia ajuda pelas terríveis queimaduras”, afirmou.
Uma equipe de socorro foi até o local e os médicos removeram a vítima para o UMass-Memorial Medical Center. José dos Santos sofreu queimaduras de terceiro grau no nariz e couro cabeludo, e de segundo grau na face, orelhas e mãos. “Suas cordas vocais foram prejudicadas e os pêlos do nariz foram queimados, indicando que ele aspirou as chamas”, disse o oficial.
Questionada sobre o incidente, a brasileira disse a investigadores que não tem idéia de como o companheiro se queimou. Rosilandy contou que José bebeu o dia inteiro e ela foi para a cama dormir. Ela acordou porque o alarme de fogo soou e, ao levantar-se, encontrou o companheiro queimado. Ao analisar o local, a polícia observou que não havia alarme de fogo na residência e encontrou combustível no banheiro.
Mais tarde, a polícia foi ao hospital e entrevistou José dos Santos. Ele não pôde falar por causa dos ferimentos em suas cordas vocais, mas conseguiu sinalizar com a cabeça, dizendo “sim” ou “não” às perguntas do oficiais. José disse “sim” quando questionado se Rosilandy tinha ateado fogo contra ele. Ele também respodeu “sim” quando os oficiais perguntaram se isso tinha acontecido sem motivo.
A polícia tentou questionar Rosilandy mais tarde, mas teve dificuldades de obter respostas. “Ela disse que estava transtornada e não poderia prestar informações naquele momento”.
Testemunhas intimidadas
Um dos irmãos de José disse que Rosilandy havia ameaçado o brasileiro recentemente com uma faca, mas ele nunca reportou o fato à polícia. O outro contou que Neto, o irmão da brasileira, havia ligado para ele pedindo que não chamasse a polícia. Para defender a irmã, ele teria ameaçado a família do cunhado, dizendo que tinha condições de prejudicá-los, pois já havia atuado como detetive no Brasil. Pressionado pelo policiais, Neto admitiu que fez a ligação.
Rosilandy foi presa por tentativa de homicídio e lesão corporal, e Neto foi detido por intimidação de testemunha.
O advogado da brasileira destacou que há muitas questões não respondidas neste caso, pois a vítima está muito ferida. Ele pediu que sua cliente não seja julgada antes da sentença judicial.
O serviço de imigração (ICE) já entrou no caso, pelo fato de Rosilandy ser imigrante ilegal. A justiça deverá pedir a deportação da brasileira nos próximos dias.