Na edição passada publicamos matéria falando de Álvaro Lima, o brasileiro do ano, principalmente pelo seu trabalho em favor da comunidade brasileira, especialmente a que mora em Massachusetts. Álvaro é uma das poucas unanimidades entre os brasileiros em New England e merece todo o destaque que tem.
Mas há outros milhares de brasileiros espalhados pela América afora, trabalhando arduamente, sofrendo com a saudade de casa, dos parentes e dos amigos, padecendo com a neve, com o frio, com o calor, e com a falta de documentos hábeis que lhes permitam ir e vir. Só que a nossa gente não desiste nunca, embora alguns tenham resolvido ir embora depois de anos trabalhando e vivendo na América.
Gente que muitas vezes é obrigada a trabalhar nos serviços que aparecem pela frente, porque não lhes é dada a oportunidade legal de subir de patamar profissional, mas que mesmo assim se dá por contente e satisfeita.
É grande o contingente de brasileiros que vieram encarar a aventura americana para poder custear os estudos dos filhos, adquirir novas propriedades como a casa própria, o carro novo, ou mesmo os pequenos sonhos de consumo que tanto fazem bem a qualquer um. Muitos já conseguiram estabelecer e concretizar estes desejos e entabulam a volta para casa, e se dão por satisfeitos pelo que fizeram por aqui. Mas há pelo menos um milhão de brasileiros cujos sonhos estão ainda pela metade, e vão fazer de tudo para realizá-los.
Sonhar não paga imposto, não custa nada, e alimenta a esperança de que dias melhores e mais abençoados virão pela frente.
Dizem que o mundo e os Estados Unidos estão em crise, e numa ou outra área é possível ver isto, mas 2008 será de trabalho e dedicação total para sair do buraco, e mais uma vez seremos os primeiros a nos apresentar e candidatar para ajudar o país a sair do sufoco.
Somos, sim, pau pra toda obra e não temos medo de cara feia, de preconceito – não somos os únicos a sofrê-lo, de ameaças, de pressão de qualquer tipo. Ao contrário, nossa índole nos impele a continuar sempre.
O fato triste e desalentador é ver centenas de brasileiros se envolvendo com problemas diversos com a polícia e com a justiça americana, mas isto é problema de cada um, que depois de apanhados, são julgados e condenados a cumprir pena, onde terão tempo de sobra para refletir sobre o seu comportamento e atitudes.
Embora isto possa nos causar algum constrangimento, não devemos nos abater por causa disto, pois o que temos de fazer é muito maior e imenso do que qualquer transgressor barato e inconsequente.
Os que lutam por seus ideais são homens e mulheres de todas as idades, classes sociais distintas no Brasil, níveis de educação idem, profissões diferentes das que exercem aqui, mas que se igualam na busca de uma oportunidade melhor, ou que lhes permita ganhar – muito – mais do que no Brasil, mesmo que tenham que encarar aqui trabalhos e serviços aos quais jamais se submeteriam lá.
Basta sair às ruas e caminhar por onde há brasileiros para se deparar com gente que pouco liga para as circunstâncias, importando-se com o que ganham e no progresso financeirto que terão. Pensando assim, pode parecer sádico e insano ter objetivos meramente financeiros, mas não é. O que importa realmente é alcançar os sonhos, mesmo que para realizá-los tenhamos que deixar para trás todas as nossas referências e história de vida.
Atravessar o Atlântico e desembarcar numa cultura totalmente diferenciada é o de menos, o que vale é trabalhar, lutar, fazer a diferença, honrar o nome do Brasil e seguir em frente.
Isto é o que vale, e é exatamente a lição que nos dá Álvaro Lima e os nossos patrícios, tudo gente boa…