Conheça os brasileiros que fazem sucesso nos Estados Unidos
O Brasil é reconhecido mundialmente pela sua riqueza e diversidadecultural. São tantos os artistas, de tantas modalidades, em diferentes regiões do país, que acaba não sobrando espaço para todos eles. Alguns tiveram que imigrar para os Estados Unidos para dar asas ao sonho de se tornarem artistas reconhecidos. Porém, no país que mais recebe imigrantes no mundo, a busca desse sonho também não é nada fácil.
Eles trabalham em dois turnos, passam pouco tempo com a família nos finais de semana, custeiam todo material, produção, e na maioria das vezes recebem como pagamento apenas o carinho e o respeito dos imigrantes brasileiros. Apenas? Para eles, isso é ínicio de uma longa e bem sucedida carreira.
Em entrevista ao National, Paulo, vocalista da banda Pimenta Malagueta, o humorista André Silva o ”Sô Zé”, a dupla Mizó e Mizael, o cantor Alex Nunes, o saxofonista Wellington Farias e Fabz, vocalista do grupo Sacramento Mc’s contam como é ser um artista brasileiro nos Estados Unidos. Eles falam também sobre as suas carreiras, as dificuldades que enfrentam para dar continuidade a ela e, principalmente, sobre o sucesso que têm feito na comunidade.
“Nova York é o sonho de qualquer músico”
Acompanhado do seu saxofone, Wellington Farias apresenta aos estrangeiros os maiores sucessos da música brasileira. Quase todo fim de semana, ele toca samba e bossa nova em restaurantes, boates e bares de Nova York para um público diversificado, mas que costuma admirar os mais famosos ritmos brasileiros. Há sete anos nos Estados Unidos, o mineiro de Belo Horizonte, imigrou com a intenção de um dia poder viver da música.
“Nova york é o sonho de todo músico. Onde estão concentrados os melhores músicos do mundo, onde está o jazz, onde podemos mostrar a música brasileira, principalmente o samba e a bossa nova, minhas especialidades”, diz Farias. Inspirado no seu pai, que era cantor, ele começou a estudar música muito cedo e aos 23 anos foi para um conservatório, onde se aperfeiçoou tocando clarinete e se tornou um excelente instrumentista.
“Toquei em orquestra sinfônica e tirava meu sustento da música. Mesmo assim, a vida de músico no Brasil não é nada fácil. Aqui você ainda pode comprar bons instrumentos e tem muito mais espaço”, acredita.
Mesmo com mais oportunidades em Nova York, Farias enfrenta os problemas da falta de capital e apoio. “Meu sonho é montar um quarteto, mas para isso eu teria que pagar os músicos, e não tenho condições. Com patrocínio, eu conseguiria montar um grupo execelente”, diz. “Contudo acredito que primeiro você tenha que fazer um nome. Eu acho que estou nesse processo ainda”, completa.
Os representantes do sertanejo nos Estados Unidos Mizó e Mizael
Além de todas as dificuldades que um artista geralmente enfrenta para alavancar uma carreira, a dupla Mizó e Mizael encarou nos Estados Unidos a dura batalha contra o preconceito em relação à musica sertaneja. Isso aconteceu, porque há 8 anos, quando eles decidiram investir no sonho de se tornarem músicos profissionais, as bandas de samba e axé tomavam conta da comunidade.
“Quando a gente começou foi pedreira. O pessoal falava para irmos cantar essa música brega no Brasil. As duplas famosas nunca tinham vindo cantar aqui. Mizó e Mizael foi a primeira a cantar no Brazilian Day, em Nova York. Para nós, isso foi uma vitória porque conseguimos trazer a música serteneja para os Estados Unidos e quebrar esse precoceito”, diz Mizó.
O mineiro Mizó, que chegou a lancer um disco no Brasil e o goiano Mizael se conheceram nos Estados Unidos e, após 8 anos na estrada, a dupla começa a obter o reconhecimento tão desejado. “A gente é considerado os representantes do sertanejo nos Estados Unidos. O carinho do público é muito grande. Isso é muito bom, pois o melhor que um artista pode receber é o reconhecimeto do seu trabalho”, afirma Mizael.
Há um ano, a dupla lançou seu primeiro CD. Com participação especial de Gian e Giovani e músicas de própria autoria, Mizó e Mizael venderam mais de quatro mil cópias de forma independente. “Com o CD, ficou mais fácil divulgar o nosso trabalho. Estamos fazendo uma média de três shows por semana, em vários estados”, conta Mizael.
Agora, os cantores decidiram investor também no Brasil. “O nosso objetivomaior é ser uma dupla conhecida no Brasil também. É um trabalho caro, que envolve muito dinheiro, mas a nossa música já está tocando em algumas rádios por lá”, ressalta Mizó.
Assim como a maioria dos artistas, o principal desafio é vencer a falta de patrocínio. “Temos uma banda que acompanha a gente nos shows. Temos que pagar os músicos do nosso próprio bolso. Hoje, não temos patrocínio nenhum. Os empresários pagam milhares de dólares para bandas de fora, mas para as bandas locais não querem pagar nem mil dólares”, reclama Mizael.
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Em busca da carreira solo
Alex Nunes, 35, está iniciando uma carreira solo. O cantor tenta desde os 19 anos seguir a profissão de músico. Enquanto viveu no Brasil, como vocalist e baixista atuou profissionalmente numa banda de Governador Valadares (MG). Apesar da carreira engatilhada na época, os problemas financeiros o trouxeram aos Estados Unidos há 13 anos.
O sonho de ser músico, no entanto, nunca morreu. Em Massachusetts, ele trabalha como corretor de imóveis, mas nunca deixou de investor na carreira artística. Logo que chegou ao país, criou a banda pop-rock “Vício”. O grupo, todo composto por imigrantes brasileiros, tocava em boates, abriu shows do Paralamas do Sucesso, Lobão e Banda Cheiro de Amor, e ainda cantou no Brazilian day.
Porém, a enorme dificuldade para divulgar o trabalho desmotivou os integrantes. “O espaço da mídia era muito menor. Havia pouquissímos jornais e não tinha um canal de TV. Gravamos um CD de forma independente, mas não tínhamos como divulgá-lo. Ao mesmo tempo, perdemos componentes do grupo e tudo isso me fez pensar em seguir uma carreira solo”, lembra Nunes.
Depois de um tempo se dedicando à igreja e à música gospel, Nunes retomou a carreira como cantor solo no ano passado quando fez a abertura do show do Paralamas do Sucesso. “Como já tinha algumas músicas prontas, decidi gravar o primeiro CD, que será lançado agora em outubro”, anuncia. Num estilo pop-rock, parecido com Paralamas do Sucesso, Capital Inicial e Jota Quest, O CD tem dez músicas, sendo duas cantadas em inglês.
A gravação foi toda custeada pelo próprio cantor. “As pessoas dão apoio, mas não chega a ser um patrocínio. Essa é uma das maiores dificuldades. Eu tenho família, então fica dificil manter um projeto como esse, que não é barato”, ressalta. “Não sei se as empresas sabem, mas todos que dão apoio cultural, podem deduzir esse valor do Imposto de Renda. Ao contrário de pagar ao governo, por que não escolher um artista do seu gosto e investor nele?, questiona.
Informações: 774-249-4807, falar com Adriana Sena
A banda que agrada todos os gostos
Nenhum grupo musical reflete a diversidade cultural brasileira tanto quanto a banda Pimenta Malagueta. Composta de seis membros, Paulo Calado (vocal e guitarra), Ricardo Palma (baixo), Léo Roberto (teclado), Márcio Brandão (bateria), Nil do Surdo (percussão) e Buiu (percussão), cada um proveniente de um estado e região diferente do Brasil, eles tocam quase de tudo: rock, reggae, forró, samba, pagode, axé, rock americano e até música portuguesa. Quem pensa que isso é falta de estilo, é porque não entende nada de comunidade brasileira nos Estados Unidos.
A variedade musical é justamente a marca registrada e um dos motivos do sucesso do grupo, principalmente nos estados de New Jersey e New York. Há cinco anos, quando o Pimenta foi criado na sua formação atual, o vocalista Paulo Calado, que havia acabado de chegar do Brasil, percebeu que a música baiana ou axé dominava o mercado e encontrou aí uma oportunidade de desenvolver um trabalho diferente.
“Senti falta de uma banda que tocasse todos os ritmos. Aqui tem gente de todo canto. Achei que poderia montar uma logística musical para agradar a todos e desenvolver um trabalho que ainda não tinha”, lembra. O pimenta Malagueta surgiu em 1992, no Brasil. Uma década depois, Calado, líder e idealizador do grupo, veio aos Estados Unidos para passar ferias de seis meses, mas ao fazer amizade com músicos locais, decidiu ficar e investir numa carreira que já havia começado no Brasil.
Escolha possivelmente acertada, pois em apenas cinco anos, além de se tornar uma das mais conhecidas bandas na comunidade brasileira, o Pimenta Malagueta está começando a trilhar o camimho dos grandes artistas. A banda está em estúdio gravando o seu primeiro CD com músicas próprias. “Qualquer comunidade brasileira nos Estados Unidos pelo menos já ouviu falar no nosso nome. Não imaginava que fosse ter uma projeção tão grande em pouco tempo”, diz Calado sobre o reconhecimento do público. “Fui convidado para tocar fora do país, mas eu não aceitei porque acredito no futuro do Pimenta aqui nos Estados Unidos”, completa.
Apesar de todo reconhecimento, o grupo tem obstáculos a serem vencidos para chegar onde desejam. “As maiores dificuldades que nós temos são a falta de apoio dos empresários e falta de profissionalismo dos organizadores e produtores nos locais dos eventos. Os patrocinadores deviam olhar mais para as bandas locais e procurer atingir o povão. Se dessem uma estrutura melhor, como aconteceu na festa do Brasil de Newark deste ano, seria um mérito não só para as bandas, mas para todo o Brasil”, conclui.
Informações: 973-332-0954, falar com Paulo.
O caipira mais amado de Massachusetts
Matuto, contador de causos, um cara que adora a natureza e cheiro de chão molhado da chuva; tem uma simplicidade muito grande e um coração do tamanho dessa simplicidade. Assim, o humorist André Silva define o personagem Sô Zé, o caipira engraçado que ficou conhecido depois de protagonizar diversas propagandas na TV Globo internacional. André Silva imigrou para os Estados Unidos em 2002 pelo mesmo motivo que a maioria dos imigrantes.
“Quando você não tem conhecimento da realidade aqui, acha que em seis meses vai poder comprar uma casa, um carro. Eu queria ter estabilidade financeira e fazer shows. Por isso vim com minha esposa e filha”, conta Silva. Natural de Conselheiro Pena, mas criado em Ipatinga (MG), o talento de Silva para o humor foi notado quando ainda era criança.
Na idade adulta, o mineiro começou a fazer shows para platéias pequenas. Nessa época, além de freqüentar velórios, em busca de novos causos, ele viajava o interior de Minas para pegar o trejeito dos caipiras. Foi dessas oficinas que surgiu o personagem Sô Zé. Em pouco tempo, o matuto ganhou espaço numa rádio de Ipatinga e daí, para o teatro, o caminho não foi longo. Apesar do reconhecimento do público, das platéias lotadas e do espaço na mídia local, Silva enfrentava o problema da falta de patrocínio e as dificuldades financeiras decorretes dele.
“O artista tem que dividir o custo de bilheteria, pagar aluguel do teatro e não sobrava muita coisa. Eu tinha muitos amigos que eram donos de empresas que me ajudavam. Mas por causa da falta de condições financeiras tive que vir para cá”, explica. Ao imigrar, Silva foi avisado pelos amigos: “Lá você vai ralar, não vai ser artista não”. Mas a história traçou outro destino para o humorista. Logo que chegou a Boston, ele foi convidado pelo dono de um supermercado da região para ser uma espécie de locutor e contar piadas para os clientes do estabelecimento.
Um ano depois, o personagem Sô Zé foi contratado para graver comerciais de TV e o reconhecimento da comunidade não demorou muito para acontecer. No teatro, com platéias sempre lotadas, Silva atuou ao lado de Marcelo Faustino, Luiz Salem e Edel Holz. Mas assim como no Brasil, a falta de patrocínio desmotivaram o humorista. “Há um ano, perdi meu emprego por falta de Social Security. Sem trabalho e condições de investir no teatro, eu comprei minha passagem para voltar ao Brasil”, conta.
Mas para levar uma boa recordação de Boston, Silva fez um show de despedida, com o apoio de empresários da região. “O teatro com capacidade para 500 pessoas ficou completamente lotado. Aí eu pensei ‘eu não posso ir agora para o Brasil’. Decidi adiar minha passagem e acabei sendo convidado para fazer shows em vários estados”. Além dos shows, surgiu a oportunidade de gravar um DVD. “As probidas do Sô Zé” foi gravada em maio, em Boston, e chega às lojas neste mês de setembro.
Como as piadas eram uitas, a gravação de um Segundo DVD vai acontecer no próximo dia 29 de setembro, em Fort Lauderdale, Flórida. Em outubro, Sô Zé se apresenta em Connecticut e Souh Caroline. E a passagem para o Brasil? “Sempre tem uma coisa que me prende. Primeiro vieram os shows. Depois veio a proposta de gravar o DVD, o segundo DVD, e com isso vou ter que ficar pelo menos mais um ano. Mas quero voltar e mostrar que vim, vi e venci.”, ressalta.
Informações: 781-241-8782, falar com André Silva.
Sacramento Mc’s A “parada” deles é hip hop
Uma das bandas pioneiras na comunidade brasileira, Sacramento MCs é também uma das poucas que conseguiu criar uma carreira mais sólida, em dez anos de muita dedicação . O sexteto, formado por imigrantes brasileiros e americanos – Fabz (vocal), Profeta (vocal), DJ LP, james (bateria), Bruce (guitarra) e Fernando (baixo), apostam no hip hop cantado em inglês e português para conquistar o sucesso.
Os dois brasileiros do grupo, Fabz e Profeta, são os idealizadores do Sacramento. Eles imigraram para os Estados Unidos ainda crianças e se conheceram na escola. O gosto pela música os levaram a traçar o mesmo caminho. Na adolescência, eles participavam de festas como DJ e Mc, respectivamente. Aos poucos foram montando o grupo que hoje é conhecido não só nos Estados Unidos, mas também no Brasil.
O sucesso internacional se deve em parte à parceria com o grupo Charlie Brown Junior. “Conhecemos o Chorão (vocalista) e levamos para ele um demo do nosso trabalho. O cara deu a maior atenção e moral para gente e nos convidou para gravar uma participação no CD deles”, conta Fabz.
Em 2004, Sacramento MCs não só gravou uma faixa no CD “Imunidade Musical” de Charlie Brown, como também formaram uma banda em conjunto com eles, a Green Goes. “No ano passado fomos ao Brasil para participar da turnê do Charlie Brown. Abrimos os shows e cantamos a faixa gravada com eles”.
Sucesso absoluto, a banda de Nova York foi convidada para gravar um CD inteiro com o grupo de Santos (SP) - “Ritmo, Ritual e Responsa” vai ser lançado em outubro próximo - e também para participar do filme “O Magnata”, do vocalista Chorão.
No momento, o grupo está em estúdio gravando o segundo volume da coletânea “Ghetto Skills”. A primeira versão do CD vendeu mais de 22 mil cópias de forma independente. “Estamos bastante tempo na estrada, gravamos músicas originais, já ganhamos o respeito de muita gente também no Brasil através do Charlie Brown. Para esse segundo CD, vamos ter uma distribuidora e acreditamos que vamos vender muito mais”, aposta Fabz.