Fonte: Agência BR NEWS Glenio Bongiolo e Karine Porcel
De acordo com o vice-cônsul Eduardo Galvão, do Consulado do Brasil em Boston, oito brasileiros estão entre os 350 imigrantes presos na última terça-feira, 6, em decorrência da operação da U.S.Immigration and Customs Enforcement ( ICE) na companhia Michael Bianco Inc., em New Bedford, Massachusetts.
Segundo o vice-cônsul, dos oito brasileiros, há sete mulheres e um adolescente de 16 anos. Juntamente com imigrantes de outras nacionalidades, eles foram transferidas para Port Isabel Detention Center, no Sul do Texas, com exceção do joven e sua mãe, que foram liberados para retonar a Massachusetts.
O vice-cônsul diz que ainda não é possível saber se as sete brasileiras serão deportadas. “Geralmente as pessoas que têm ordem de deportação expedida são deportadas, mas as que não têm, tem o direito de ir à corte e serem julgada por um juiz”, resalta. “Há dois anos, cerca de 76 brasileiros que trabalhavam ilegalmente para uma empresa também brasileira foram presos como resultado de uma investigação sobre irregularidades nessa empresa.Todo mundo foi preso, mas foram todos soltos em seguida”, lembra.
Eduardo Galvão afirma que o Consulado do Brasil em Boston manifesta preocupação com a forma com que as batidas da imigração estão sendo feitas. Ele disse ainda que o Consulado teve dificuldades para se comunicar com as autoridades da imigração americana sobre o episódio da última terça-feira, mas que está fazendo o possível para auxiliar e manter informada a comunidade brasileira.
Prisões geram catástrofe familiar
Prisões como as realizadas na terça-feira, 6, em New Bedford estão se tornando um dos mais graves problemas enfrentados pelas comunidades imigrantes do país. Centenas de crianças, filhos dos imigrantes indocumentados detidos, estão aos cuidados de amigos, escolas e assistentes sociais. Líderes comunitários exige que o governo americano tome uma providência para evitar uma catástrofe social.
Segundo Shuya Ohno, da Massachusetts Immigrant and Refugee Advocacy Coalition (MIRA), cerca de 200 crianças estão separadas de suas mães devido às recentes ações da ICE. “É uma calamidade, as famílias estão tendo dificuldade para alimentar crianças pequenas, bebês que não aceitam comer, a não ser do seio da mãe. Além disso, os familiares e amigos que estão com a tutela das crianças também têm que trabalhar.”.
O governador do estado, Deval Patrick, expressou preocupação de que os filhos dos imigrantes presos, a maioria da Guatemala e El Salvador, não estejam recendo tratamento adequado. “Nós estamos particularmente preocupados com a comunidade guatemalteca, pelo risco de não identificarem as crianças por medo das agências do governo”. O governador escreveu uma carta ao Congressista Willian Delahunt garantindo que assistentes sociais tenham acesso aos imigrantes presos e pediu para que os imigrantes detidos não sejam deportados até que as crianças recebam cuidados adequados.
Uma das histórias mais dramáticas é a de Carlos Miranda, que teve sua namorada, Marisela Inestroza, presa na ação da ICE. Miranda ficou responsável por tomar conta da filha de Marisela, de apenas 9 meses. A criança tentou por diversas vezes mamar no peito do rapaz, recusando a mamadeira e chorando muito.
“É uma ironia tremenda e um insulto aos direitos humanos. Estas pessoas estavam sendo exploradas por patrões inescrupulosos e trabalhando para garantir que os soldados americanos tivessem mochilas e vestimentas. A maneira com que o governo as recompensa é prender e separar famílias”, declarou Ohno.
A presidente do grupo Mulher Brasileira aproveitou o recebimento do prêmio de “Melhor Agência de Serviços” de Somerville para chamar a atenção para o caso: “Nós dedicamos este prêmio à comunidade e a todas as famílias separadas e sofridas por causa de políticas injustas. Por favor, quando voltarem para casa, peguem o telefone e liguem para seus representantes no Congresso. Peçam para pararem as blitz”. Heloísa lembrou a data do dia da mulher e afirmou “Não há como comemorar o Dia das Mulheres com alegria enquanto nós estivermos testemunhando famílias inteiras sendo ceifadas do seu direito de viver com dignidade”.
A MIRA está com uma campanha levantando alimentos e dinheiro em uma conta específica para auxiliar as famílias dos imigrantes presos na batida de New Bedford. A entidade também está procurando voluntários para ajudar na tradução e com os possíveis traumas enfrentados pelas famílias. Ela também está pedindo que as pessoas liguem para o Congresso, no número (202) 224-3121, e peçam o fim das prisões.
Segundo informações da MIRA, um grupo de pessoas já foi transferido de Fort Devens, em Massachusetts, para outras prisões no Texas. “Isto dificulta o nosso trabalho e aprofunda as separações de famílias”. Assistentes sociais e advogados tiveram acesso aos presos, mas estão podendo atender apenas cerca de 10 a 15 por dia.
“Aprisionar mães trabalhadoras longe de seus filhos não faz este país mais forte. Pelo contrário, divide famílias e dissemina o medo, traumas e isolamento, enfraquecendo a malha moral de nossa sociedade”, explicou Maria Elena Letona, diretora executiva do Centro Presente.
Ok, A Mira esta com uma campanha recolhendo dinheiro para auxiliar as familias, nao seria interesante, que voce divulgasem essa conta para que pudessemos, ajudar a essas familias????? e por favor, nao contem com o dinheiro das igrejas eletronicas , por que o que eles faturam nao e para o bem social, e exclusivamente para os bens pessoal.....eu quero ajudar, e voce????????
Leitor cadastrado.
Faça o login para comentar!
Novo no site?
Cadastre-se para comentar e receber um e-mail quando tiver novas notícias.