Red Cross não aceitou passaporte brasileiro como identidade
Na terça-feira, 20, um grupo de 12 brasileiros foi impedido de doar sangue num posto da American Red Cross, em Maynard (MA), por não apresentar um documento de identidade americano. Todos apresentaram o passaporte brasileiro, que não foi aceito. A falta de uma justificativa para a recusa deixou o grupo indignado e se sentindo discriminado.
“Uma das pessoas que estava no grupo chegou a perguntar a um dos funcionários se eles tinham sangue azul”, conta Dulce Melo, proprietária de uma loja em Maynard que organizou o grupo brasileiro para fazer a doação. “Eles espalharam cartazes pedindo gente para doar sangue. Passei um mês falando e tentando convencer meus clientes. Não me senti discriminada, mas constrangida por ter levado meus clientes e eles serem recusados”.
Neto Paiva, um dos 12 brasileiros que tentaram doar ficou chateado com a situação. “Chegamos lá e eles logo pediram um ID americano. Aí perguntamos se podia ser um documento do Brasil ou o passaporte brasileiro, mas eles disseram que não. Eu até brinquei ‘eles estão querendo sangue ou documento’? Ficou meio chato porque o pessoal vai com boa vontate e chega lá o sangue não serve”, reclama.
Segundo Paiva, os funcionários da Red Cross não informaram aos grupo o porquê da recusa. “Ficamos sem entender. Inclusive uma das pessoas que estava com a gente mostrou uma carteira de estudante que também não foi aceita”, completa.
A nossa reportagem entrou em contato com a Red Cross pelo telefone divulgado nos cartazes que foram espalhados em Maynard e conversou com uma funcionária, que pediu para não ser identificada. Ela disse que não estava no local onde aconteceu o episódio com os brasileiros, por isso não poderia dizer se houve algum mal entendido. Contudo, ela informou que passaportes estrangeiros são aceitos como identidade, desde que a pessoa tenha como provar que vive no país há mais de três anos, um dos requerimentos de segurança para evitar a proliferação de doenças.
“Os imigrantes podem doar sangue dependendo do tempo em que vivem nos Estados Unidos e de que país eles são originários. Os alemães, por exemplo, no momento não podem doar por causa do risco de transmissão da doença ‘Mad Cow’(Vaca Louca). Pessoas que viajam a este país ou outros onde há risco de transmissão de malária também devem esperar três anos para doar”, explica, adicionando que o Brasil é um desses países.
De acordo com a funcionária, imigrantes indocumentados podem doar sangue se enquandrarem-se nos critérios de elibilidade descritos no website da Red Cross, www.newenglandblood.org. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 781-461-2000, 1-800-462-9400 ou pelo e-mail: dembeckc@usa.redcross.org