Bush anuncia plano de ajuda a vítimas de hipotecas de risco
Fonte: Agência BR NEWS Da redação com agências
Uma das medidas é um projeto de lei para permitir que os mutuários em débito possam refinanciar as hipotecas
O presidente George W. Bush apresentou na semana passada um plano para ajudar os donos de casas que não conseguem honrar os pagamentos das hipotecas.
Ao contrário do que muitos pensaram, as iniciativas anunciadas não irão resgatar financeiras, nem especuladores. O plano é dirigido aos proprietários com hipotecas de risco, que querem conservar suas casas.
Uma das medidas é um projeto de lei que permitirá que compradores com dívidas possam refinanciar suas dívidas hipotecárias. Além disso, o governo estuda um alívio temporário dos impostos, uma iniciativa para evitar a execução judicial dos empréstimos, e pretende, ainda, modernizar a "FHA Secure", agência que regula o setor.
Assim que a notícia foi divulgada, foram registradas subidas nos mercados interno e externo. “O governo tem um papel a desempenhar, mas é limitado”, disse Bush, acompanhado do Secretário de Tesouro, Henry Paulson.
Ele destacou que não poderá ajudar aqueles que já perderam suas casas por execução hipotecária, argumentando que o papel do governo federal neste momento é estimular os refinanciamentos e educar os compradores potenciais sobre os riscos do mercado.
Alívio para os devedores
Ao propor mudanças no programa federal de seguros de hipotecas, o presidente reconheceu que houve excessos nos negócios imobiliários feitos no país e assinalou a necessidade de aplicar com rigor as leis que proíbem as práticas “predadoras” de crédito.
O plano de Bush permitirá que os proprietários com bons antecendentes de crédito – mas que não podem pagar suas hipotecas, possam refinanciar suas dívidas com a supervisão da "FHA Secure". Isso impediria que as parcelas sofram mais reajustes.
Segundo o plano do governo federal, os compradores que estão atrasados com as hipotecas com taxas variáveis teriam algum alívio para adiar os pagamentos. Ele pediu às financeiras que cooperem com os proprietários para minimizar os impactos da crise no mercado.
A crise das hipotecas
A bolha imobiliária começou a inflar há aproximadamente quatro anos, quando os bancos e as empresas de hipotecas ofereceram empréstimos com juros fixos inicialmente, e depois variáveis, a compradores que careciam de bom histórico de crédito.
Há cerca de 20 meses, a bolha se rompeu: os preços das propriedades vêm caindo, as vendas diminuindo e milhões de compradores que não conseguem pagar as parcelas assumidas, devido aos reajustes, descobrem que o valor de mercado de suas casas está abaixo do valor da dívida assumida.
Quase todas essas hipotecas foram feitas com juros fixos por dois ou três anos, e depois juros variáveis ou reajustáveis. Como a maioria das operações aconteceram entre 2004 e 2006, os compradores começaram a enfrentar o reajuste de suas parcelas há alguns meses.
Nos últimos meses, várias empresas de hipotecas faliram e os mercados financeiros globais, que temem falta de liquidez, registraram grandes oscilações. Apesar das turbulências, Bush qualificou como “modesto” o efeito da crise sobre a economia norte-americana.