O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, consequentemente do PT, tem se caracterizado pela profusão de escândalos, que até agora deixaram de fora
a pessoa do presidente.
Todas as pessoas de extrema confiança de Lula foram aos poucos sendo dizimadas e teoricamente excluídas do seu convívio. José Dirceu, José Genoino, Luiz Gushiken, Gilberto Carvalho, Delúbio Soares, Silvio Pereira e Antonio Palocci se viram enrolados em algum episódio que trouxe constrangimento pessoal ao presidente.
Ao contrário de Fernando Collor, que foi diretamente implicado, e não pode refutar ou desmentir as situações de envolvimento pessoal, e por isso foi mandado embora para casa, Lula se saiu com a lapidar frase de que não sabia de nada do que se passava a sua volta, o que tanto a classe política quanto a opinião pública brasileira tomaram como verdade, dando ao presidente o benefício da dúvida.
Pode-se não gostar de Lula e muita gente não gosta e tem lá as suas razões para isso, mas não se pode deixar de reconhecer que a forma de agir do presidente é totalmente diferente da de Collor de Mello, que se deslumbrou com a liturgia do poder e se julgava o único capaz de resolver sozinho os problemas do Brasil. Já Lula tinha o projeto de governar a nação ao lado dos seus companheiros de muitos anos e embaraçado viu cada um deles se distanciando por causa de escândalos em que se viram envolvidos direta ou indiretamente.
Faltava, a exemplo do que aconteceu com Collor de Mello, um irmão-problema. Até que surgisse no cenário Vavá, tido por Lula como um ingênuo, que se vale da posição do irmão famoso e importante para tentar tirar algum proveito ou benefício próprio.
A operação Xeque-Mate da Polícia Federal descobriu o envolvimento de Vavá junto de amigos e um compadre de Lula, em contrabando, corrupção e tráfico de drogas, que resultou na prisão de 77 pessoas, incluindo 13 policiais. Genival Inácio da Silva, o Vavá foi indiciado por tráfico de influência no Executivo e exploração de prestígio no Judiciário, e teve o seu pedido de prisão negado pela Justiça.
Prontamente – e como se podia esperar – o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, saiu em defesa do irmão e disse duvidar do envolvimento de Vavá em qualquer problema. Só que gravações telefônicas das conversas dos presos mostraram o contrário.
Os grampos telefônicos mostram um homem velhaco e ávido por dinheiro que ele não quer saber de onde vem, mas que pede sem o menor pudor ou constrangimento. O que se faz pensar é que Vavá é um homem, que levado pelas circunstâncias, quer fazer os seus próprios negócios, pois sabe que daqui a pouco seu irmão famoso e importante já não estará mais no posto que ocupa, pois terá de ceder seu lugar a outro – a democracia tem destas coisas.
A conclusão a que chegamos é que cada um tem o irmão que merece. Pedro, o irmão de Fernando pensava em milhões. Edivaldo, o irmão de Luiz quer só alguns tostões, o que faz com que pensem que ele é um ingênuo, só que de ingênuo Vavá não tem absolutamente nada. Ele é muito esperto. Bobos somos todos nós se crermos o contrário.