Caravanas de outros estados invadem o Brazilian Day
Fonte: Agência BR NEWS Karine Porcel
As longas distâncias não impedem nenhum imigrante de curtir a maior festa brasileira dos Estados Unidos. Eles viajam horas só para se sentir mais perto do Brasil, nem que seja por uma tarde
Elas vêm de todas as partes dos Estados Unidos. O objetivo é o mesmo: participar de uma das maiores festas brasileiras realizadas no exterior. As caravanas que trazem imigrantes das mais distantes cidades para o Brazilian Day, em Nova York, tornaram-se um dos principais personagens da festa, afinal, o mega show em plena capital do mundo não seria o mesmo não fosse a capacidade de reunir boa parte dos imigrantes brasileiros em uma única rua.
As horas de estrada, o cansaço de ir e voltar no mesmo dia, a longa fila para usar os banheiros públicos, nada disso supera a alegria de fazer parte de evento. Muitos deles não conseguem chegar perto do palco, outros nem sabem quem está cantando, mas mesmo assim quando perguntados o que acharam da festa, a resposta é sempre a mesma: adorei!
Natália Ribeiro de Souza, 18, é moradora de Maryland e participou do Brazilian Day pela segunda vez. “Foi muito bom, as bandas foram bem legais e os shows foram ótimos. Eu achei que teve mais gente do que no ano passado, mas acho que foi mais bem organizado, pois eu não vi nenhuma briga, nem confusão”, destaca.
Ela viajou para a cidade numa excursão com sete ônibus. No veículo em que estava havia uma turma de jovens, mas no geral há sempre pessoas de todas as idades. “Na minha caravana tinha gente de várias idades e crianças, inclusive. Acho que vale a pena ir com as carvanas. Nem todo mundo pode ficar o final de semana todo, pois no outro dia precisa trabalhar. É também um meio facil e barato de curtir o show e voltar para casa tranqüilo”.
Diego Silva, 26, morador de Massachusetts, participou do Brazilian Day pela primeira vez este ano. Apesar de não ser muito fã dos músicos que se apresentaram na festa, ele fez questão de vir com os amigos. “É uma festa muito boa que não está resumida só aos shows. Acabei encontrando amigos que moram em New Jersey e nos divertimos muito”, diz.
Encontrar amigos e conhecer brasileiros de outras cidades é uma das principais razões apontadas pelos viajantes para se deslocar horas e horas em direção a Nova York. Sônia Assis, por exemplo, mora na Flórida, mas todos os anos vem à festa com ou sem excursão. “Morei em Nova York durante seis anos e sempre participava da festa colocando barraquinha. Agora que moro longe, venho para encontrar meus amigos que moram na cidade”.
A farra no ônibus também atrai muitos brasileiros. “São mais de cinco horas de viagem, mas a gente nem vê o tempo passar. No meu ônibus sempre tem uma batucada e a festa começa muito antes de chegar em Nova York, diz Josué Gomes, da Carolina do Norte, que participou da festa pela segunda vez. “Achei que este ano foi muito bem organizado, inclusive para o nosso ônibus mesmo foi mais fácil para deixar o pessoal e depois buscar”, completa.
Uns se divertem, outros trabalham
Enquanto a turma se diverte, há pelo menos um desses viajantes que trabalha duro para que o passeio não termine num fiasco. Os chefes das caravanas geralmente começam a organizar a excursão pelo menos uns seis meses antes, mas como brasileiro sempre deixa tudo para última hora...
“De última hora apareceu mais gente e tive que colocar um ônibus a mais. No total foram sete ônibus com cerca de 500 pessoas para Nova York este ano”, diz Dario Santos, que organiza desde 1986, sem falhar um ano sequer, a caravana de Maryland, Washigton D.C e Virginia para o Brazilian Day.
Segundo ele, o trabalho que começa geralmente em fevereiro não rende lucro algum, não recebe apoio do evento e, às vezes, ainda gera dores de cabeça. “Eu continuo fazendo porque gosto. O chato é que o pessoal dá organização (do Brazilian Day) não dá apoio às caravanas, apesar de se beneficiarem delas”, reclama.
Este ano, Dario cobrou até $50 pela passagem. Ele começou a vendê-las em fevereiro por $30, mas apenas na última semana é que os brasileiros decidiram comprar. “Assim fica mais dificil, pois eu tenho que reservar o ônibus em cima da hora. Eles me cobram mais, então tenho que repassar isso aos passageiros”, explica.
Este, alias é o maior trabalho que Dario tem todos os anos. Tentar acomodar o monte de brasileiros que aparece na véspera da excursão. “Se os brasileiros fossem como os Hispânicos, que compram as passagens com antecdência, seria bem mais fácil”, acredita.
Apesar dos imprevistos e da enorme responsabilidade de levar todos de volta sã e salvos, Dario avisa que as passagens para a caravana do ano que vem começarão a ser vendidas em fevereiro.