Fonte: Agência BR NEWS Jehozadak Pereira
A comunidade cristã evangélica no Brasil e no mundo se alvoroçou diante da notícia de que o casal Hernandes – Estevam e Sônia – haviam sido presos ao desembarcar em Miami no dia 9 de janeiro passado. Em princípio se suspeitou que o casal havia sido preso por um pedido da justiça brasileira, especialmente a de São Paulo, onde Estavam e Sonia Hernandes respondem a diversos processos por enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e estelionato.
Só que eles foram presos por terem omitido das autoridades alfandegárias americanas que traziam mais do que os US$ 10 mil permitidos por pessoa. Tinham US$ 56 mil que estavam escondidos nas suas bolsas e até dentro de uma Bíblia, o que fez com que ficassem presos por 10 dias. Depois de pagarem fiança, foram postos em liberdade vigiada com o auxílio de tornozeleiras eletrônicas.
Foram acusados pela justiça americana de contrabando, conspiração e falso testemunho. A pena pode chegar a 10 anos de prisão para cada um dos dois, mas um acordo entre os advogados e o promotor responsável pelo caso permitiu que os Hernandes admitissem a culpa e, com isso, evitassem o juri popular. Dessa forma, eles podem ser condenados a seis meses de prisão e mais seis meses de liberdade conjugal, e depois disso serem deportados ou extraditados, e terem que enfrentar a justiça brasileira.
Não poderia haver humilhação maior do que ter que passar por tudo isso. Estevam é o fundador da Igreja Apostólica Renascer em Cristo e sempre esteve às voltas com diversas acusações, sempre envolvendo questões financeiras.
Uma rápida pesquisa na justiça paulista, e o resultado vai apontar inúmeros processos que vão desde cheques sem fundos até ações de despejos por falta de pagamento. Volta e meia um ou outro ex-fiel ou ex-funcionário envolve Estevam em algum problema. Com diversos indícios de problemas, o casal passou a ser investigado pelos promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado – Gaeco, que inclusive pediu em diversas ocasiões a prisão preventiva de Estevam e Sônia Hernandes, o que fez com que eles ficassem foragidos por várias semanas, até que o Tribunal de Justiça revogasse o pedido.
Com bons advogados à disposição, Estevam e Sônia Hernandes têm ao longo dos anos conseguido postergar todas as tentativas dos promotores paulistas de os verem atrás das grades. Só não contavam coma fatídica viagem a Miami em janeiro, onde acabaram presos e tiveram o pedido de extradição feito pela justiça brasileira.
Nem mesmo os bons – e caros – advogados conseguiram convencer a justiça americana de que ambos eram inocentes. Diante da ameaça de que os promotores do Gaeco poderiam vir depor no processo em Miami, apressou-se a aceitação do acordo. A participação das autoridades brasileiras poderia agravar definitivamente a situação penal do casal e aumentar consideravelmente o risco de uma pena maior. Só que estas ameaças de prisão nos Estados Unidos e no Brasil não são suficientes para diminuir a devoção dos fiéis e da solidariedade de outros segmentos cristãos-evangélicos brasileiros.
Diante de todas as circunstâncias processuais e criminais que os Hernandes estão sendo acusados, dá para ver que os problemas deles são estritamente pessoais e nem de longe atingem outras igrejas e segmentos religiosos. Logo, o argumento de que os evangélicos estão sendo perseguidos pela justiça brasileira é tão falso quanto uma cédula de US$ 15.
A justiça tanto nos Estados Unidos, quanto no Brasil cumprem o papel de julgar aqueles que são pilhados em delitos, sejam eles quem for, inclusive autoridades religiosas como é o caso dos Hernandes, que não estão isentos de responder pelos seus atos. Que eles não escaparão de ser penalizados pela justiça americana é certo. Quanto a justiça brasileira, só o tempo dirá. No entanto, o que se vê é que o casal não está sendo injustiçado. Pelo menos até que provem o contrário.