Casas com excesso de moradores estão no alvo da prefeitura de Framingham
Fonte: Agência BR NEWS Glênio Bongiolo
Tem gente que faz de tudo para economizar um dinheirinho a mais no final do mês. Dividir o apartamento com “roommates” é, de longe, umas das principais maneiras encontradas pelos imigrantes para gastar menos. O problema é que tem brasileiro levando a idéia longe demais.
Casas superpopulosas estão atraindo a atenção das autoridades de Framingham, em Massachusetts, que está jogando duro para tentar acabar com uma prática que pode botar em risco a vida de muita gente.
A prática chamou a atenção das autoridades depois que um incêndio destruiu uma casa de dois andares na Avon St. No local, foram encontradas 17 camas, ocupadas por diversos imigrantes brasileiros que trabalham na região. Eles pagavam entre 250 a 350 dólares por mês para morar em pequenos cúbiculos espalhados pela casa. A partir daí, a prefeitura passou a investigar casas e a receber denúncias.
Desde o ocorrido, cerca de dois meses atrás, o comissário de construções, Michael Foley, recebeu 18 denúncias, das quais 9 apresentavam problemas. No ano passado inteiro, o departamento recebeu um total de 33 chamadas. “O mês de fevereiro foi muito ativo. (...) Esta é uma prática (excesso de moradores) arraigada na comunidade, e vai demorar até que consigamos acabar com ela. Não acontece do dia para a noite”, disse.
A preocupação com o excesso de moradores está relacionada à saúde deles. A prefeitura quer evitar tragédias como um incêndio, ou pessoas morrendo por envenenamento por gás carbônico. Segundo o corpo de bombeiros, o incêndio de janeiro foi causado provavelmente pelo uso de muitas aparelhos em uma mesma tomada.
As principais denúncias envolviam o número muito grande de moradores por apartamento. Segundo a lei americana, existe um limite estabelecido que deve ser cumprido. Além disso, o uso de porões (basements) como quartos exige uma permissão especial, após verificado que o local tem condições de ser habitado.
A maioria dos locais autuados pelo comissário recebeu uma multa de $300 dólares e deve diminuir o número de moradores. Os donos dos apartamentos, no entanto, não parecem muito preocupados. Um das principais dificuldades enfrentadas pelos fiscais é que eles só podem verificar uma moradia com a permissão dos moradores ou do dono. Caso eles se neguem, o fiscal precisa de uma liminar judicial, o que demora tempo.
Outro problema enfrentado é quando os moradores resolvem sublocar o apartamento sem o conhecimento do proprietário. Em Lowell foi encontrada uma casa subdividida em diversos compartimentos, onde moravam 17 pessoas. O proprietário afirmou que tinha conhecimento de que apenas cinco pessoas moravam na casa. Ele descobriu a situação ao fazer uma visita surpresa.
A prefeitura vem trabalhando para coibir a prática. Já foi feita uma solicitação para o aumento dos fiscais no ano que vem, e os Selectmen da cidade irão propor duas novas leis na reunião anual em abril. A primeira torna desnecessária o período de espera de 10 dias para poder multar uma casa, e a segunda quer estabelecer um mínimo de pelo menos 150 pés de área comum para os moradores em todas as residências.