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3/7/2008 - 16:41

Chávez, as Farc e a crise sul-americana


Fonte: Agência BR NEWS

Jehozadak Pereira

O tiranete Hugo Chávez arreganha novamente a sua dentadura para a Colômbia por causa do ataque que matou Raúl Reyes o segundo homem na hierarquia das Farc – Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, num acampamento a pouco mais de uma milha no interior do Equador.



A crise toma dimensões continentais principalmente porque pode jogar toda a América Latina num conflito que deveria ser resolvido unicamente por Equador e Colômbia. Mas, no afã de envolver os Estados Unidos e chamá-lo para um eventual conflito, o ditador Hugo Chávez arma o maior escândalo e ameaça atacar a Colômbia, aliada dos americanos na guerra contra o narcotráfico, que ao que parece é a principal fonte de renda da outrora guerrilha, hoje transformada numa quadrilha que mantém em cativeiro na floresta reféns civis a exemplo da ex-senadora Ingrid Betancourt.

Chávez detesta Álvaro Uribe, presidente colombiano que é atormentado pelas Farc, que tenta desestabilizar sucessivos governos desde a sua criação em 1964 e que atualmente conta com cerca de 17 mil integrantes que são arregimentados entre a população camponesa na sua maioria.

Alojados e escondidos na vasta selva na amazônia colombiana, o que torna impossível a sua localização, além de ter recursos aparentemente ilimitados seja do bilionário cultivo e tráfico de cocaína, seja de financiamentos externos que desconfia-se sejam venezuelanos.

Hugo Chávez é o maior cabo eleitoral para que as Farc sejam reconhecidas como uma entidade política e não terrorista como são julgados pelo povo colombiano. Recentemente, em duas ocasiões quando as Farc libertaram reféns que estavam há anos em seu poder, quem capitalizou e cantou vitória foi exatamente Chávez que havia sido desautorizado por Uribe a negociar com as Farc em nome da Colômbia.

Nas duas oportunidades, os reféns foram recebidos com honras de estado por Chávez na Venezuela para depois desembarcarem na Colômbia, ocasiões em que Chávez pediu novamente que o bando fosse retirado das listas de terroristas.

As condições em que os reféns são mantidos em cativeiro são desumanas, mas nada disto parece comover Hugo Chávez que os têm como amigos e aliados, tudo para fustigar e irritar a nação colombiana e de quebra os Estados Unidos, que é o verdadeiro alvo dele.

Depois do ataque de sábado, o ditador venezuelano declarou que foi um assassinato covarde, friamente preparado, além de chamar Álvaro Uribe de lacaio, mentiroso e de chefe de um narcogoverno e não de presidente de um país, além de pedir no seu programa de rádio e televisão um tributo a Raúl Reyes, para ele um verdadeiro revolucionário.

Imediatamente a Venezuela deslocou para a fronteira cerca de dez batalhões com soldados para se proteger de uma eventual agressão colombiana e disse que não quer a guerra, mas não vai permitir que o império americano nem o seu cachorro, o presidente colombiano, dividam as nações amigas e a unidade latino-americana.

Além da guerra verbal e diplomática, as autoridades colombianas apresentaram supostos documentos que comprometem o venezuelano que açula e instiga Rafael Correa, o presidente equatoriano, contra os colombianos. Para piorar ainda mais a situação, George W. Bush se solidarizou com Álvaro Uribe, desta vez para irritar ainda mais o instável e complicado Hugo Chávez.

Aonde vai parar o conflito e de que modo ele vai ser resolvido só os próximos dias dirão, mas o certo é que a turma do deixa disto, encabeçada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou em ação e tem feito de tudo para diminuir a tensão existente.

O grande vilão desta história toda é, sem dúvida, o coronel venezuelano que se mete e se intromete em tudo além de apoiar terroristas e quadrilheiros que sequestram, matam e roubam a paz do povo colombiano, além de não perder nenhuma oportunidade de atacar e criticar os Estados Unidos. Bem que se podia chamar o Rei Juan Carlos de Espanha para mandar que ele cale a boca de novo.
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