Cidade de Connecticut oferece identificação a ilegais
Fonte: Agência BR NEWS Da redação com agências
Prefeitura de New Haven distribuirá cartões de identificação a todos os seus moradores, inclusive para os 15 mil ilegais que vivem na cidade
Num momento em que o futuro da reforma migratória parece incerto e que proliferam medidas contra os indocumentados, a cidade de New Haven, em Connecticut, deu um passo adiante em defesa dos imigrantes.
A partir de 24 de julho, a prefeitura começará a distribuir cartões de identificação para toda a população, inclusive para os indocumentados. Além de servir como identificação para serviços bancários e no caso da polícia solicitar um documento, as carteiras poderão ser usadas em bibliotecas, parques municipais e outros locais públicos.
A proposta é integrar os imigrantes à comunidade, protegê-los dos delitos que possam ocorrer devido à falta de documentação e estimulá-los a denunciar crimes à polícia.
Segundo Kica Matos, responsável pelo setor de serviços à comunidade da prefeitura de New Haven, a criação dos “ID cards” foi motivada pela segurança pública. Ela alega que muitas pessoas não procuram a polícia para relatar crimes porque temem que as autoridades peçam sua identificação. Com o cartão municipal, ela acredita que os ilegais se sentirão mais seguros e confiantes.
New Haven tem aproximadamente 15.000 imigrantes indocumentados entre os 120.000 habitantes. Muitos grupos anti-imigrantes estão protestando contra a iniciativa, por considerarem que a Prefeitura está dando força aos ilegais que violam as leis ao permanecer no país ilegalmente. Eles temem que com essa iniciativa milhares de outros ilegais se mudem para a cidade.
Apoio aos indocumentados
As ações da Prefeitura de apoio aos imigrantes não páram por aí. O prefeito John DeStefano anunciou que ajudará com serviço legal, fiança e assistência as famílias dos 31 indocumentados detidos numa batida da imigração na semana passada.
A batida ocorreu dois dias depois que a prefeitura anunciou a carteira de identidade. O prefeito protestou contra a iniciativa dos oficiais federais, qualificando-a como arbitrária, e por considerar que as prisões foram uma represália à nova medida municipal.
Michael Chertoff, secretário do Departamento de Segurança Nacional e Imigração, negou essa intenção e disse que a batida migratória está relacionada aos esforços nacionais de prender imigrantes com ordem de deportação expedida.
No total foram presos 29 homens e duas mulheres, o que afetou 50 crianças que ficaram sem seu pai ou mãe. Segundo autoridades locais, a cidade tem se esforçado para recuperar a confiança dos imigrantes, por considerar que eles são economicamente importantes. “Temos deixado claro à comunidade latina que vamos fazer tudo o que é possível para ajudá-los”, completou a administradora de serviços à comunidade.