Cidade de NJ tem Chefe de Polícia filho de imigrante
Fonte: Agência BR NEWS Karine Porcel
Entrevista exclusiva com Anthony Campos
Na sexta-feira, 17, o americano de origem portuguesa, Anthony Campos, Chefe de Polícia interino de Newark (NJ), assumiu em definitivo o cargo. O anúncio do prefeito Cory Booker quebrou a tradição mantida pelos prefeitos da cidade de indicar representantes afro-americanos para o posto. A escolha gerou protesto entre a maioria negra, mas entre os imigrantes da região a indicação foi aplaudida.
Filho de imigrantes portugueses, Campos nasceu e cresceu em Newark e por isso nunca perdeu o contato com a cultura de seus pais. Na região, que abriga a maior colônia portuguesa do país, ele aprendeu a falar português, segundo ele, não tão bem quanto gostaria, e a saborear a bela culinária lusitana.
Durante os anos em que foi Comandante de Polícia do Ironbound, Campos ficou conhecido entre os imigrantes de língua portuguesa pela sua dedicação para resolver os problemas da comunidade. Com isso, acabou ganhando confiança e amizade de muitos brasileiros e portugueses da região.
Como Chefe de Polícia de Newark, ele tem uma missão bem maior: reduzir os indíces de criminalidade e levar segurança aos habitantes da cidade. Apesar de estar em declínio, a violência permanece nas ruas de Newark. Há cerca de 15 dias, três jovens foram mortos nos arredores de uma escola pública. Seis suspeitos do crime estão presos, mas a sensação de insegurança continua.
Em entrevista exclusiva ao National, Anthony Campos fala sobre o combate à violência em Newark e o trabalho realizado pelo Departamento de Polícia. Ele destaca as políticas da cidade em relação a imigração ilegal e seu posicionamento em relação ao papel dos imigrantes em Newark.
N: Qual é a sua missão como Chefe de Polícia de Newark?
A.C: Minha missão é, acima de tudo, tornar o nosso Departamento de Polícia o melhor do país. E ser o melhor significa servir o público da melhor forma possível, ter habilidade para oferecer os serviços da forma mais eficiente, ter o treinamento mais adequado, enfim, meu trabalho é dar aos policias as condições necessárias para que eles possam realizar o seu.
N: Os índices de criminalidade estão caindo em Newark, mas continuam altos. O que o Departamento de Polícia está fazendo para combater a violência na cidade?
A.C: Se você pegar os jornais, ficará com a impressão de que a violência está fora de controle em Newark. Mas se olhar os fatos e comparar com o passado, verá que estamos anos à frente. Veja bem, eu não não estou nem um pouco contente com os índices de crime da cidade, mas o número de homicídios caiu em relação ao ano passado. Crimes com armas de fogo também diminuíram. Em toda categoria, você vê uma redução neste ano, comparado ao último ano.
Mas as pessoas têm que entender que não existe mágica para eliminar o crime. Trabalhando em conjunto, temos visto os índices de criminalidade caírem. Implementamos a “Hot Line”, uma linha telefônica pela qual as pessoas podem reportar crimes, uso de drogas ou armas sem ser identificado. Quando você faz isso, você recebe $2 mil dólares. Você recebe um código, vai ao banco, retira o dinheiro, tudo sem precisar dar o seu nome. Tem feito um grande sucesso.
N: Como é a sua relação com a comunidade de língua portuguesa de Newark?
A.C: Eu acho que eu tenho uma relação fantástica com a comunidade de língua portuguesa. Quando eu era Comandante de Polícia do Ironbound, eu tinha um contato mais direto com a comunidade e um retorno imediato do meu trabalho. No momento em que eu saía de casa, eu via se o que eu tinha feito ontem havia funcionado. Eu chegava no meu carro e tinha um bilhete com perguntas sobre imigração. As pessoas me deixavam bilhetes ou me procuravam porque tinham medo de ir à Policia. Mas eu dizia para eles “eu sou um polícial”. Por causa dessa relação que eu tinha e ainda tenho, as pessoas se sentem à vontade para trazer reclamações ou passar informações sobre algum crime que elas presenciaram ou foram vítimas.
N: Que importância considera que a comunidade brasileira tem para Newark?
A.C: Toda comunidade que vem para Newark contribui com alguma coisa e deixa a cidade muito melhor do que era antes. É como um grande bolo, em que cada um contribui com um ingrediente. Eu acho que somente sendo cego para não ver o impacto da comunidade brasileira na cidade. Nós vemos a contribuição do trabalho deles, a influência da sua música, da comida dos inúmeros restaurantes. Quando os primeiros brasileiros vieram para cidade eram somente trabalhadores, mas agora eles abriram negócios, construíram escolas e deixaram o lugar muito melhor do que como encontraram.
N: Algumas cidades do país têm associado o aumento da violência ao crescimento da imigração ilegal. Acredita que isso aconteça em Newark?
A.C: Eu não tenho estatística aqui na minha frente, mas posso citar um fato. A maioria dos imigrantes ilegais vive no Ironbound. Esta região tem um dos menores índices de crimes violentos de toda cidade. Então, eu não posso concordar com essa associação. Isso não verdade em relação a Newark.
N: Operações da Imigração têm acontecido cada vez com mais freqüência. Em algumas cidades, agentes federais têm o apoio da polícia local. Quais são as políticas de Newark em relação a essas operações?
A.C: É muito importante diferenciar as operações. Se você me perguntar sobre aquelas que estão à procura de criminosos, nós não estamos preocupados se ele é legal ou ilegal. Se essa pessoa cometeu um crime, eu apóio absolutamente. Mas sobre o status migratório, eu vou falar qual é a política do prefeito Cory Booker em relação a isso. Nós estamos aqui para proteger as pessoas da cidade, combater crimes, e é a isso que nós temos que dedicar 100% dos nossos recursos. Nós não temos que interrogar ninguém sobre o seu status. O governo federal tem agências responsáveis por isso. Além do mais, eu acredito que a maioria das pessoas que vem para cá legalmente ou ilegalmente, vem para trabalhar e oferecer uma vida melhor para suas famílias.
N: O que a comunidade brasileira pode fazer para contribuir para o bem estar de Newark?
A.C: Como parte da comunidade de Newark, eles têm muitos benefícios, mas têm que entender que como participantes têm também deveres a cumprir. Eles precisam entender as nossas leis, nossos regulamentos. Há uma série de diferenças, por exemplo, em como interagir com um policial. Aprendendo mais sobre o nosso sistema, será mais fácil para eles assimilarem e fazerem parte da comunidade.
Muito bom, espero que ele faca um bom trabalho. Agora em relacao aos imigrantes, eles devem fazer a parte deles e andarem corretos. Porque nao serah pelo fato de o policial falar portugues e ser filho de portugueses que vai ser diferente.
a lei serah cumprida do mesmo jeito. A mesma lingua com certeza ajunda um pouco apenas na comunicacao.
Wilson - Brasil 8/26/2007 6:06:49 PM
Uma decisâo inteligente nomear um descendente de português para chefe de polícia.Mas é bom a comunidade brasileira nâo esquecer que nâo está no Brasil.Aqui quando um cidadâo se diz amigo do chefe de polícia é porque ele quer tirar algum proveito da situaçâo e aí com certeza vâo tentar fazer o mesmo.Logicamente vai ser mais dificíl de haver tráfico de influência uma vez que a polícia é independente.Não precisa do empresário e nem de político para se sustentar.Com relação a língua é interessante ter uma pessoa de lingua portuguesa para explicar os problemas embora isso nâo signifique que se dará um jeitinho para resolver coisas que nâo podem ser resolvidas.Afinal o moço em questâo é nascido e criado na terra,e tem uma boa ficha.Portugal também fala português e o brasileiro fica lá seis meses e já quer voltar.
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