Cidades repensam leis para combater imigração ilegal
Fonte: Agência BR NEWS Da redação com agências
Assim como Riverside, outros municípios começaram a medir os impactos negativos de leis antiimigrantes nas economias locais
Há pouco mais de um ano, o Comitê legislativo de Riverside, em New Jersey, se tornou a primeira municipalidade do Estado a adotar leis com o objetivo de penalizar pessoas que empregam ou alugam imóveis para imigrantes indocumentados. Em poucos meses, centenas, se não milhares de imigrantes latinos americanos, inclusive brasileiros, deixaram a cidade.
Mas com a saída de tantos moradores, a economia local foi a primeira a sentir os impactos negativos. Salões de beleza, restaurantes e lojas de propriedade dos imigrantes viram seus negócios despencarem, levando alguns à falência. Organizações pró-imigrantes foram à justiça contestar as medidas tomadas por Riverside. As despesas dos processos judiciais começaram a pesar no orçamento da cidade, levando muitos que eram favoráveis à lei a repensarem seus conceitos.
Na semana passada, o Comitê de Riverside rescindiu a ordem, juntando-se a um pequeno, mas crescente grupo de cidades que decidiu analisar mais profundamente as leis contra os imigrantes. “Eu não acho que as pessoas sabiam que poderia haver esse peso econômico”, disse o prefeito de Riverside, George Conard. “Muitas pessoas não olham para daqui a três anos”.
A cidade gastou $82 mil para defender a medida na Justiça, e corre o risco de ter que pagar as custas processuais caso seja derrotada. A batalha judicial forçou a cidade a adiar projetos de pavimentação de estradas e reformas na prefeitura, segundo funcionários do município. Além disso, as acusações de racista e antiimigrante feitas por grupos que usaram o lugar como base para as suas lutas mancharam a reputação da cidade.
Alguns residentes que apoiaram a lei no ano passado relutam em trocar de opinião. Para eles, a lei foi um sucesso, pois mandou embora muitos imigrantes, mesmo tendo prejudicado a economia da cidade.
Os negócios de propriedade dos imigrantes passam por sérias dificuldades. A brasileira Angelina Guedes abriu um salão de beleza há dois anos e chegou a ter dez funcionários. Hoje apenas ela atende a pequena clientela. Luiz Ordonez, do Equador, está vendendo sua loja que faz remessas, vende celulares e perfumes depois que os negócios foram reduzidos à metade. O restaurante do equatoriano, que tem um cardápio em inglês, português e espanhol, está sempre vazio em plena hora de almoço.
Prefeituras são obrigadas a voltar atrás
Nos últimos dois anos, mais de 30 cidades em todo país adotaram leis com o objetivo de resolver problemas atribuídos à imigração ilegal. Muitas dessas leis aplicam penalidades, entre elas prisão, às pessoas que descuprem as regras. Mas agora, diante dos impactos negativos, muitas prefeituras estão sendo obrigadas a rever suas ordens.
Em junho, um juiz federal emitiu uma sentença contra uma lei para impedir o aluguel de imóveis para indocumentados, em Farmers Branch, Texas. Em julho, a cidade de Valley Park, no Missouri, também teve uma lei parecida repelida. No mesmo mês, um outro juiz federal impediu Hazleton, na Pennsylvania, de adotar medidas que impeçam os imigrantes de trabalharem ou alugarem imóveis.
Hazleton, aliás, foi uma das primeiras cidades do país a adotar medidas contra a imigração ilegal, servindo de exemplo para vários outros municípios em todo país, inclusive Riverside.
Apesar das medidas estarem sendo revistas, a volta dos imigrantes que deixaram as cidades não é certa. Muitos começaram a refazer suas vidas em outros lugares e não pretendem voltar. Dessa forma, o impacto negativo dessas leis poderá levar ainda bastante tempo para ser superado.