Até o terceiro trimestre de 2008, democratas e republicanos escolherão seus candidatos. Eleições primárias começam essa semana.
As eleições norte-americanas acontecerão no dia 4 de novembro de 2008, mas, até lá, o país vai assistir a uma corrida que poderá garantir a tão sonhada vaga na disputa presidencial.
A campanha já começou. Pré-candidatos dos dois principais partidos, o Democrata e o Republicano, estão trabalhando para conquistar o apoio dos partidários.
Para você entender como funcionam as eleições nos Estados Unidos, reproduzimos parcialmente o guia preparado pelo site G1 (www.g1.com.br), com explicações sobre o sistema norte-americano.
Escolha dos candidatos
Cada partido abre espaço para a disputa da Presidência desde que a pessoa seja americana de nascimento e residente no país há pelo menos 14 anos, e que tenha, no mínimo, 35 anos de idade. A definição do vencedor é uma eleição à parte dentro do próprio partido - chamada de primárias.
As eleições primárias começam no dia 3 de janeiro, com a disputa no estado de Iowa (na região central dos Estados Unidos). Em 5 de fevereiro, os partidos, historicamente adversários, têm a principal disputa: é a ‘Super Terça’, quando praticamente a metade dos 50 estados do país (além do distrito de Colúmbia) realizará suas eleições primárias.
Os votos nas primárias são dados pelos representantes de cada partido. Em cada estado a definição do grupo desses representantes pode ser diferente. Em alguns, votam apenas os filiados do partido. Em outros, votam também os cidadãos comuns.
Terminada a votação em cada estado, os partidos fazem seus congressos nacionais, nos quais os candidatos são finalmente oficializados, apesar de já se saber antes o vencedor, pela soma dos delegados conquistados nos estados.
O congresso democrata será realizado entre os dias 25 e 28 de agosto, em Denver, no estado do Colorado. Já o republicano está marcado para ocorrer entre os dias 1º e 4 de setembro, em St. Paul, no estado de Minnessota. Ganha quem obtiver mais votos.
Podem também concorrer à Presidência dos Estados Unidos candidatos independentes. O prazo final para a inscrição dos candidatos é o dia 5 de setembro de 2008.
Colégio eleitoral
Definidos os candidatos de cada partido, a campanha volta seu foco para os eleitores comuns, apesar de a eleição não ser tecnicamente direta. Os mais de 200 milhões de eleitores norte-americanos darão o seu voto (que não é obrigatório) para o presidente, mas não serão eles que determinarão o resultado final.
No Brasil, vence a eleição presidencial o candidato que somar mais votos em todo o país, independentemente dos resultados parciais de cada estado. Nos Estados Unidos não é assim: o resultado de cada estado é o que conta. É o chamado Colégio Eleitoral, sistema pelo qual cada estado nomeia um certo número de "delegados" que então escolhem o presidente.
Esses representantes ou delegados são eleitos dentro do próprio estado, e cada estado tem uma maneira de eleger os seus. O que está estabelecido é que senadores e deputados são proibidos de fazer parte do Colégio Eleitoral, segundo a Constituição.
Regionalização do voto
Pelo sistema norte-americano, cada eleitor dá o seu voto no estado onde mora. Ao final da apuração é que entra o papel dos “delegados”, que quase sempre seguem o voto para o candidato escolhido pela maioria da população do estado que fazem parte (em raras ocasiões, delegados individuais já se "rebelaram" e não seguiram o voto popular de seus estados).
Há uma outra especificidade do Colégio Eleitoral que marca a eleição norte-americana: na maior parte dos estados, o candidato que ganhar o maior número de votos populares leva todos os delegados desse estado.
Por esse sistema, mesmo que um candidato A tenha obtido, por exemplo, 30% dos votos da população de um estado, esses votos não terão nenhum peso na contagem final se o seu adversário B ganhar a maioria dos votos populares (51% ou mais).
Mais habitantes, mais poder
O Colégio Eleitoral dos Estados Unidos divide o país com base em sua população. Quanto mais habitantes um estado tem, mais poderoso ele é na hora de dar seus votos a um determinado candidato. Cada estado tem um número mínimo de três delegados. É o caso de Delaware, que tem 853 mil habitantes.
A Califórnia, o estado mais populoso do país, com 36 milhões de habitantes, é o que tem mais peso no colégio eleitoral: 55 votos. Já Nova York, com 19 milhões de habitantes, tem 31 votos.
O colégio eleitoral norte-americano tem, ao todo, 538 representantes. Vence a eleição presidencial o candidato que conseguir pelo menos 270 votos.
Curiosidades
* E se nenhum dos candidatos à Presidência ou vice-presidência receber ao menos 270 votos? Os três que receberam mais votos do Colégio Eleitoral vão para uma nova eleição. Neste caso, porém, a decisão passa do Colégio Eleitoral para a Câmara de Representantes, onde cada estado tem um voto.
* O sistema eleitoral norte-americano pode trazer resultados curiosos: nem sempre vence a eleição quem tem mais votos em todo o país. Isso aconteceu recentemente, em 2000, quando o democrata Al Gore teve mais votos entre a população do que o republicano George W. Bush, mas acabou perdendo a eleição. Esse fenômeno também aconteceu com John Quincy Adams (em 1825), com Rutherford Hayes (em 1877) e com Benjamin Harrison (em 1889).