Construção do muro entre EUA e México atrasa até 2011
Fonte: Agências Internacionais
Projeto faz parte de um plano nacional para fortalecer a segurança na fronteira com México
A implantação do "muro virtual" com que o Governo dos Estados Unidos quer combater a imigração ilegal na fronteira com o México sofrerá um atraso de pelo menos três anos devido a problemas técnicos, segundo o site do jornal "The Washington Post".
Funcionários do Departamento de Segurança Nacional e auditores do Congresso afirmaram a uma subcomissão de legisladores que as falhas detectadas no projeto piloto do muro, um trecho de 45 quilômetros ao sul de Tucson (Arizona), atrasaram a finalização da primeira fase.
Os problemas técnicos afetam o sistema de torres equipadas com sensores e equipamentos de vigilância do "muro virtual", cuja construção está a cargo da empresa Boeing.
Apesar de o Governo americano ter aprovado o início do projeto na sexta-feira, as autoridades confirmaram que o chamado "Projeto 28" não está se desenvolvendo como previsto nem cobre as necessidades das patrulhas de fronteira, segundo o jornal.
De acordo com o "Washington Post", este anúncio representa um importante atraso no que o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, qualificou em maio de 2006 como "a iniciativa de segurança fronteiriça mais avançada tecnologicamente da história dos Estados Unidos".
O "muro virtual" faz parte de um plano nacional aprovado por Bush para fortalecer a segurança na fronteira com torres de observação, radares, sensores de movimento e potentes câmeras de alta tecnologia capazes de distinguir entre pessoas e gado a uma distância de aproximadamente 16 quilômetros.
O projeto, pelo qual o Governo pagou à Boeing US$ 15 milhões e que deveria ter sido finalizado em meados de 2007, já tinha sido adiado por problemas iniciais relativos ao software.
As novas falhas detectadas só permitirão a conclusão do projeto em 2011, com outro presidente na Casa Branca.
Polêmica
Os esforços do governo para controlar a imigração ilegal com muros reflete uma neurose que custa muito dinheiro e não resolve o problema. A opinião foi expressa no editorial do jornal The New York Times de terça-feira, 4.
A publicação considera que o muro é um monumento que representa a crônica inabilidade do governo para fazer algo inteligente em relação à imigração ilegal. Ainda que o país tenha direito de controlar suas fronteiras, essa medida é simplista e não ataca a raiz do problema que é identificar porque razão as pessoas cruzam a fronteira ilegalmente. “Legalização também é controle”, ressaltou.
Para o jornal, há uma neurose exagerada quando se toca no assunto “imigração ilegal”. “A evidência dessa neurose é visível na fronteira com o México, onde o departamento de Segurança Interna (DHS) está apressando-se para reforçar o sistema de sensores e outros aparatos de segurança”. A construção do muro, ordenada pelo Congresso, representa o fracasso de uma ampla reforma migratória e constitui uma ordem para fazer o impossível, em velocidade e gasto recordes.