Político disputa voto a voto a preferência do eleitorado democrata com Hillary Clinton. Imigrantes ilegais torcem por sua vitória.
O jovem senador por Illinois e pré-candidato à presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, é o preferido dos jovens, das mulheres e dos eleitores independentes. Mas para os imigrantes indocumentados que apostam numa vitória democrata em novembro, Obama tem um valor especial: ele garantiu que se vencer as eleições apoiará um amplo programa de legalização para beneficiar os mais de 12 milhões de imigrantes indocumentados e interromperá as deportações em massa.
“As deportações que estão acontecendo até agora são seletivas, repatriando cem aqui, cem lá, mas não adiantam, pois não resolvem o problema migratório”, afirmou. Ele considera que as prisões seguidas por deportações estão entre os maiores erros da administração Bush e critica duramente os senadores e congressistas que apóiam essa medida.
Obama é o primeiro candidato negro com possibilidades de tornar-se presidente dos Estados Unidos. As eleições primárias estão favoráveis a ele. Apesar de disputar voto a voto a preferência do eleitorado com Hillary Clinton, em Iowa ele teve 38% e derrotou a candidata, e em New Hampshire teve 36% dos votos, perdendo por apenas três pontos percentuais.
Filho de um imigrante do Quênia, Obama diz que, se eleito, lutará para reformar, modernizar e tornar o sistema migratório norte-americano mais eficiente. “Sempre tenho defendido uma reforma migratória integral, que garanta segurança das fronteiras, porque temos que saber quem está entrando em nosso país, e também devemos ter um sistema onde possamos verificar os empregados”, afirmou, a fim de mostrar que não defende a imigração indiscriminadamente.
No entanto, ele destaca: “deportação não é a maneira de resolver o problema”. Ele apóia um programa de legalização para os indocumentados que vivem no país, por acreditar que essas pessoas querem uma vida melhor para seus filhos e para suas famílias.
O senador defende a implementação de uma medida que submeta os imigrantes ilegais a vários requisitos, caso queiram sair da sombra da ilegalidade. Dentre os planos para os estrangeiros que querem permanecer legalmente no país estão a fixação de pagamento de uma multa, aprendizado de inglês e cidadania norte-americana. Além disso, adverte, há a necessidade de reestruturar as leis de imigração, pois muitas pessoas que querem legalizar-se têm que esperar 10 anos ou mais em um longo processo e muitos continuam ilegais, devido à burocracia.
É preciso um meio termo: defende-se a anistia aos que já estão aqui, com algumas condições, e, em contrapartida, implanta-se medidas para proteger o país da imigração ilegal.“A situação migratória afeta os trabalhadores estrangeiros e, também, os norte-americanos. Infelizmente, há quem busque um bode expiatório, descontando suas frustrações e ansiedades nos indocumentados, que são alvo constante de críticas”.
Segundo Obama, o país tem que ter um governante que proteja os interesses das empresas e também do homem comum. “Os trabalhadores não podem ficar desamparados; eles precisam de seguro médico, direitos trabalhistas e estabilidade”, defende.
Pré-candidato é comparado a Kennedy e Reagan
O estilo de Barack Obama tem sido comparado por especialistas com o de John F. Kennedy e de Ronald Reagan, dois grandes oradores (um democrata e outro republicano), cujas mensagens conseguiam conectá-los ao povo.
Assim como os dois políticos, Obama vem passando uma idéia de mudança e de esperança. “A mensagem de Obama inspira a confiança das pessoas, que acreditam que é possível melhorar o futuro do país”, diz Jamie Mc Kown, professor de governo e política do Colégio do Atlântico, em Bar Harbor, Maine.
Desde que discursou na Convenção Nacional Democrata de 2004, Obama vem sendo conhecido como um bom orador, alguém que busca analisar a fundo alguns temas e sugerir soluções específicas. Nessa exposição, que foi reproduzida por vários meios de comunicação, Obama apresentou sua história pessoal e usou frases de impacto que até hoje são repetidas.
O senador usa conceitos grandiosos, dizendo, por exemplo, que este “é um momento de definições na história” e que “essa geração está sendo chamada para fazer uma mudança”. Ainda que alguns o critiquem por falar apenas generalidades, Obama parece estar mais preocupado em inspirar do que convencer, citando John F. Kennedy e Martin Luther King ou usando um estilo parecido ao dos grandes oradores da história política americana.
“Obama está conseguindo conectar-se com as pessoas e isso é importante para a corrida presidencial”, destacou Matt Eventoff, especialista em comunicação política, que já trabalhou com candidatos de todos os níveis, inclusive presidenciáveis. "Pode ser que ele não seja o candidato mais experiente, mas tem uma tremenda capacidade de comunicação que convence as pessoas”, finalizou.