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3/6/2007 - 12:30

Contradições no país da oportunidade


Fonte: Agência BR NEWS

Helen Sinzker

Líderes e ativistas da comunidade acreditam que nas próximas semanas os senadores John McCain (Republicano do Arizona) e Edward Kennedy (Democrata de Massachusetts) devem apresentar um novo projeto de lei para reforma imigratória. Enquanto isso, os imigrantes ficam na expectativa e driblando os obstáculos impostos pela vida que estão sujeitos a levar às margens da sociedade norte-americana. Às margens sim porque esses trabalhadores continuam sendo invisíveis ainda que sua contribuição mova a economia do país.

Recentemente um estudo do Conselho Nacional de População (Conapo) do México afirmou que “os imigrantes têm papel fundamental na economia americana”. Essa conclusão contraria a opinião dos antiimigrantes que insistem que os imigrantes roubam o trabalho dos nativos norte-americanos. Segundo a pesquisa, “A imigração mexicana e o mercado de trabalho americano - Tendências, perspectivas e oportunidades”, o envelhecimento da população dos Estados Unidos aponta para a necessidade de mão-de-obra barata e trabalhadores qualificados.

Há pouco mais de um mês, o coordenador do Projeto Parceria, o médico Eduardo Siqueira, falou em um café comunitário em Massachusetts que está na hora de acabar com o estereótipo de que a classe de trabalhadores imigrantes é desqualificada. “Os Estados Unidos importam bons profissionais, inclusive do Brasil”, disse ele. Na ocasião, Siqueira também reconheceu que o imigrante representa mão-de-obra barata. “Mas mesmo assim é um trabalho qualificado e não importa em que profissão. O que acontece é que esses trabalhadores vivem numa condição de medo e se submetem à exploração.”
Em casos de trabalhadores machucados no trabalho, por exemplo, essa realidade fica evidente. Depois de 10 minutos de conversa com o trabalhador, percebe-se que trabalham em total insegurança e são calados pela ameaça da deportação. Quando acontece a tímida reação em procurar ajuda, ela é acompanhada pela repetida observação: “mas eu não tenho documentos”.

Por mais que se fale que o direito do trabalhador independe do status imigratório, muitos se rendem e preferem o silêncio. Atitude compreensível, mas não aceitável. Ainda mais depois de especialistas afirmarem que a imigração não é uma estratégia para enfrentar a falta de crescimento da população em idade trabalhista nos Estados Unidos porque o número de imigrantes que o país precisa é muito alto.

Contradições à parte, a nossa luta por uma vida saudável para o imigrante continua. E que os bons ventos tragam a sensatez política e que não sejamos mais surpreendidos por golpes como o do governador de MA, Deval Patrick, que emitiu uma ordem executiva que pune empresas com contrato com o governo que empregarem trabalhadores indocumentados. E olha que na campanha eleitoral, Patrick dizia ser a favor do imigrante. Ainda bem! Imagina se não fosse?
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