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10/4/2007 - 14:6

Criminosos na comunidade


Fonte: Agência BR NEWS

Mais um brasileiro que cometeu crime, foi condenado no Brasil e se refugiou nos Estados Unidos foi preso e mandado de volta para cumprir a sua pena em solo pátrio. Nos últimos tempos isto se tornou corriqueiro e volta e meia as autoridades americanas prendem criminosos procurados pela justiça brasileira.



Há criminosos de todos os tipos no meio da comunidade brasileira, onde encontram abrigo sem que o povo saiba dos crimes e delitos cometidos no Brasil. A facilidade de convívio, a condição de indocumentados da imensa maioria, iguala a todos num mesmo patamar, além do fato de que ninguém faz qualquer tipo de pergunta, torna o ambiente seguro e propício para quem quer se esconder sem temer quase nada.

Aproveitam-se e muitas vezes assumem nova identidade, trabalham, e se misturam a outros brasileiros que nem imaginam quem seja que está ao seu lado.

Há cerca de dois anos, um assassino confesso que havia fugido da cadeia no Brasil se instalou em Massachusetts, e começou a vender drogas, além de ameaçar quem comprava e não pagava. Discretamente foi denunciado às autoridades, preso e deportado.

É notório que muitos brasileiros vêm para a América para refazer as suas vidas e fazem questão de que tudo o que fizeram ou deixaram de fazer fique no mais absoluto mistério, o que é o direito de cada um. O que não pode é que criminosos busquem refúgio na América pensando que ficarão impunes.

A justiça americana, tão logo toma ciência de que há criminosos condenados na comunidade, toma todas as providências de prender e colocar o foragido à disposição da justiça brasileira. O que preocupa é a incidência cada vez maior de casos semelhantes ao do brasileiro preso em abril e deportado dias atrás.

O que fazer num caso destes, quando se descobre que há um condenado entre nós? Denunciá-lo? Entregá-lo às autoridades americanas? Ou comunicar às autoridades brasileiras para que peçam a extradição? É um dilema terrível e, sobretudo, moral. Mas vamos partir da premissa de que não há inocente ou injustiçado nestas histórias. No entanto, quem deve e tem contas a ajustar deve pagá-la integralmente.

Não é papel de qualquer brasileiro na América delatar ou denunciar quem quer que seja, mas é dever nosso colaborar para que a justiça seja feita, e o grande problema é o de se cometer injustiças denunciando alguém inocente sem que se possa reparar o erro posteriormente. Há alguns anos, na Flórida, uma mulher denunciou o marido por vingança depois de levar uma surra.

O homem foi preso e deportado, até que o arrependimento tomasse conta da mulher que não suportava ver os filhos pequenos chorando e chamando pelo pai o tempo todo. Só restou ir embora e pedir perdão ao marido e tentar reconstruir a vida. O problema é que ela, quando denunciou o marido, disse que ele era criminoso, sem que fosse de fato, o que fez com que ele ficasse preso por mais de um ano até ser mandado embora.

O Brasil é imenso tal como os Estados Unidos, que tem dimensões continentais, e para que um fugitivo suma no mapa é a coisa mais fácil e nem é necessário um grande esforço, o problema brasileiro é que a justiça é frouxa e nem sempre uma condenação significa cumprimento integral da pena.

Mesmo com todo o aparato de vigilância na fronteira com o México, muitos se aventuram a atravessá-la correndo todos os riscos possíveis, e uma vez dentro dos Estados Unidos vão tentar levar uma vida normal até serem apanhados. Ter criminosos condenados na comunidade não acontece somente com brasileiros e nenhuma comunidade está isenta de tê-los no seu meio. Recentemente as autoridades prenderam dezenas de membros da gangue MS 13 de El Salvador, uma das mais ferozes quadrilhas nos Estados Unidos.
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