Crise imobiliária: saiba mais sobre o problema que tumultua a economia global
Fonte: Agência BR NEWS Da redação com agências
Na semana passada a crise imobiliária nos Estados Unidos provocou um verdadeiro terremoto até nas economias mais estáveis do mundo. Bolsas de toda Europa, Asia e Américas despencaram com as incertezas do mercado hipotecário americano. Um banco alemão teve que ser amparado por outros bancos para não fechar as portas e uma das maiores empresas de mortgage americanas não resistiu e entrou em colapso.
O que está acontecendo com o mercado imobiliário americano? Como e por que surgiu esta crise que está acabando com o sonho da casa própria de tantas pessoas e levando à falência tantos bancos e financiadoras? De forma simplificada, enumeramos as etapas do problema. Entenda:
1.Clientes de risco, empréstimos de risco No início dos anos 90, o mercado imobiliário americano estava estagnado. Para aumentar os negócios, a indústria de mortgage começou a fazer empréstimos com regras menos restritivas, o que, ao lado dos juros baixos, tornou a compra de um imóvel mais acessível a pessoas com pequeno histórico de crédito.
Mais opções -Aumento dos mortgages com taxas ajustáveis – juro introdutório baixo, que cresce ao longo do tempo com o pagamento das mensalidades -Menos rigor para determinar a renda do cliente e sua possibilidade de pagar as prestações do financiamento -Empréstimos sem entradas ou com entradas de valores baixos – as entradas caíram de 20% do preço do imóvel para praticamente zero. -Refinanciamento – os proprietários podem reduzir o valor das prestações aumentando o tempo de financiamento -Possibilidade de resgatar o “equity” do imóvel, adicionando-o ao débito total
Mais negócios -Novas empresas de mortgage entraram no mercado, assim como, real state agents e brokers. -Mais pessoas partiram para a compra do segundo ou terceiro imóvel durante o “boom” imobiliário.
2. O processo As empresas de mortgage ou financiadoras fazem empréstimos aos futuros proprietários e tomam o imóvel como garantia. Contudo, essas financiadoras, freqüentemente, são intermediárias no processo, pois elas vendem os empréstimos a investidores e usam o dinheiro para fazer novos empréstimos. Hoje, 1 em cada 5 mortgages pertence ao credor original. O resto pertence a investidores.
3. Estouro da bolha imobiliária Ano passado, o Banco Central dos Estados Unidos ( Fed), temendo uma elevação brusca da inflação por causa do excesso de dinheiro no mercado, decidiu aumentar as taxas de juros no país. Com a alta dos juros, as pessoas sentiram-se menos atraídas a comprar. O mercado imobiliário começou então um movimento reverso, com os preços caindo por causa da procura menor.
Com os preços dos imóveis em baixa, as novas hipotecas passaram a ter valores menores ( menos atraente para os investidores, que começaram a retirar o dinheiro desse mercado). Ao mesmo tempo, os financiadores começaram a enfrentar a inadimplência dos proprietários que embarcaram em financiamentos com juros ajustáveis e, com a alta dos juros, tiveram suas prestações elevadas.
A maior parte da inadimplência se refere aos empréstimos concedidos ao segmento de baixa renda, os chamados “subprime loans”, que foram concedidos a pessoas com histórico de crédito fraco. Em março deste ano, aproximadamente um em cada cinco “subprime mortgage” estava com as prestações atrasadas ou em processo de “foreclosure” (financiadora toma o imóvel por falta de pagamento).
4. O que está por vir -Preços dos imóveis vão continuar caindo nos próximos meses, já que a oferta é muito maior do que a procura -Número de foreclosure vai continuar subindo nos próximos meses, já que muitos proprietários não irão conseguir honrar seus pagamentos, com a elevação das taxas de juros -Para os próximos anos, pessoas de média e baixa renda poderão enfrentar mais dificuldades para conseguir um financiamento, já que a tendência é as empresas de mortgage voltarem a adotar critérios mais rigorosos para conceder empréstimos -Refinanciar também poderá ficar mais dificil