Danbury dividida: polícia local deve ser treinada pela Imigração?
Fonte: Agência BR NEWS Juliana Melo
Brasileiros se mobilizam para evitar que oficiais da cidade atuem em parceria com agentes federais.
Moradores, empresários e lideranças de Danbury (CT) estão mobilizando toda comunidade brasileira nos Estados Unidos para evitar que a polícia local seja treinada pelo Serviço de Imigração (ICE).
O governo da cidade estuda autorizar que alguns de seus policiais recebam treinamento federal. Apesar de alegarem que a medida visa combater o crime, ampliando os esforços para prender indocumentados foragidos, grupos de direitos humanos acreditam que a iniciativa poderá aterrorizar os imigrantes que residem na região.
O assunto foi colocado em discussão no Conselho municipal, que votou a favor do acordo da polícia com o ICE. No entanto, por se tratar de um tema polêmico, a autorização ainda não foi dada oficialmente.
Os simpatizantes da recomendação dizem que a polícia precisa de treinamento, devido à falta de ação por parte do governo federal, que adiou a reforma da lei de imigração.
Os contrários ao projeto expressaram o medo de que os agentes treinados provoquem segregação racial e que os imigrantes, tanto legais quanto indocumentados, sejam marginalizados e tenham medo de sair às ruas, trabalhar ou passear.
O jornal The News Times de Danbury (www.newstimes.com) colocou o tema em votação. No início da semana, brasileiros fizeram uma corrente por e-mail para divulgar a enquete disponível no site da publicação, com a pergunta “Você acha que a polícia de Danbury deve trabalhar em parceria com agentes de imigração?”. Até o fechamento desta edição, em 16 de janeiro, o resultado estava apertado. 16.619 pessoas votaram “sim” (50%) e 16.616 (49.99%) foram contrários à parceria.
Os moradores de Danbury também foram conclamados a ligar para a prefeitura (Telefone: 311) para dizer que são contra essa medida. Apesar da enquete o jornal ser apenas uma consulta popular, as lideranças locais acreditam que uma votação expressiva no “não” poderá influenciar a opinião pública, convencendo autoridades de que a parceria não é bem-vinda.
Malas prontas
Com o cêrco se fechando em vários Estados e cidades, muitos imigrantes estão fazendo as malas e mudando para regiões onde as discussões sobre medidas anti-imigrantes são mais brandas.
Aline Sposato, moradora de Danbury há sete anos, integra o grupo daqueles que já pensam em seguir viagem, caso a parceria seja aprovada. “Vai ficando insustentável, ter medo de sair na rua afeta demais a nossa qualidade de vida”, diz.
Ela conta que uma amiga e toda família seguiram para a Flórida há duas semanas, a fim de encontrar melhores condições de trabalho e mais tranquilidade. “Com essas coisas, a gente vai percebendo que não vale a pena se apegar a um lugar, o negócio é mudar se for preciso”, opina. Questionada sobre a possibilidade de sair do país, ela é rápida: “voltar ao Brasil, nunca!”.
Aline, que é mãe de duas crianças de 9 e 13 anos, diz que já está pensando em alguns locais. “Tenho amigos em vários Estados, que podem me ajudar a me adaptar; por isso, se a parceria sair, vou analisar com carinho um lugar melhor pra trabalhar e criar meus filhos”, completa.