Fonte: Agência BR NEWS Jehozadak Pereira
O que não falta aos Democratas é candidatos. Ou melhor, pré-candidatos. Oito no total – os ex-senadores Mike Gravel e John Edwards, os senadores Barack Obama, Chris Dodd, Joseph Biden e Hillary Clinton, além de Dennis Kucinich – visceral opositor à Guerra do Iraque, e Bill Richardson, governador do New Mexico.
Com chances reais de se tornarem candidatos mesmo só Barack Obama e Hillary Clinton, com 32% nas pesquisas, e John Edwards, com 17%. O resto dos pré-candidatos querem mesmo é um palanque de graça para aparecer.
Reunidos na South Caroline, os pré-candidatos foram cerimoniosos uns com os outros.
Como era de se esperar, o tema que tomou conta do debate foi a Guerra do Iraque. A frase mais agressiva e contundente foi de Hillary Clinton, que taxativamente afirmou que quando for presidente dos Estados Unidos vai tirar as tropas da terra de Saddam Hussein e de quebra alfinetou George W. Bush. Vale lembrar que Hillary Clinton votou a favor da ocupação do Iraque em 2003 e hoje se justifica dizendo que se soubesse o que viria pela frente teria votado contra. Ao passo que Barack Obama capitaliza o fato de ter se oposto à Guerra do Iraque desde o princípio.
Mais do que expor as idéias de cada pré-candidato, o debate visa conquistar espaço junto ao eleitorado americano, que ao mesmo tempo é politizado, omisso e arredio. Politizado porque é exigente e sabe exatamente o que quer de cada partido ou filosofia política e omisso à medida que não comparece para votar, visto que o voto é facultativo, o que torna o eleitor um eterno desconfiado de tudo e de todos.
Um dos maiores desafios de qualquer candidato a um cargo eletivo nos Estados Unidos é convencer o eleitorado a sair da sua zona de conforto e ir votar, de preferência na sua plataforma e proposta de governo.
Foi isto que fez o Partido Democrata, que ao sair na frente e provocar o debate entre os seus pré-candidatos, capitalizou a atenção do público, ao discutir temas importantes e que têm atraído a atenção de todos – prós e contras.
Por outro lado, um dos temas recorrentes é a velha questão dos imigrantes indocumentados. Mesmo com todo o esforço do presidente George W. Bush em promover uma reforma nas leis que regem o assunto, a solução ideal parece cada dia mais distante e difícil, o que traz desesperança para milhões de trabalhadores, que não têm direitos, nem voz e muito menos o voto ou quem o defenda nas duas casas legislativas federais.
Isto pode parecer frustrante – e é no sentido que um tema tão importante é relegado a planos secundários, principalmente, porque o eleitorado de origem estrangeira – os que são naturalizados americanos – pouco se importam ou preocupam em se increver para votar, o que torna as coisas mais cômodas para os políticos que julgam não dever satisfação a quem teoricamente não está nem ai.
Há um longo caminho a ser percorrido até que os partidos definam os seus candidatos. Entre janeiro e junho de 2008 os delegados às convenções serão indicados. Provavelmente em março os dois candidatos deverão estar indicados. A convenção Democrata acontece em Denver, no Colorado, de 25 a 28 de agosto, e a dos Republicanos será em St. Paul, Minesotta, entre 1 a 4 de setembro. A campanha começa em seguida e a votação será em 4 de novembro. Portanto, um caminho difícil, árduo que coroará um deles como o presidente da nação mais poderosa da terra.
Até lá ficará a dúvida e a esperança de milhões de pessoas em assuntos que certamente abrangerão a Guerra do Iraque, a segurança interna, o déficit público e a política de imigração.