A próxima terça-feira, 5 de fevereiro, é decisiva para os pré-candidatos a uma vaga nas eleições presidenciais nos Estados Unidos. No lado republicano, a fatura parece decidida em favor de do senador John McCain, pois definitivamente o ex-governador Mitt Romney, de Massachusetts, não parece ser páreo para ele. Já no lado democrata, a briga é a mais renhida de todas as convenções das últimas décadas com a polarização da senadora Hillary Clinton e do também senador Barack Obama.
A disputa vai além do campo das plataformas políticas de cada um e também das idéias. O tom das campanhas foi elevado por Bill Clinton, que puxou a faca para Obama, expondo as suas idéias pró-conflito no Iraque, e de que ele havia mudado de opinião, dizendo que tudo não passava de um conto de fadas, da qual o senador por Illinois queria tirar o maior proveito possível. Houve quem considerasse as críticas do ex-presidente como fortes e contundentes, ao sugerir que Obama havia mudado de idéia e de posição quanto à Guerra do Iraque.
Clinton bateu duro, fazendo o trabalho "sujo" da campanha, e o golpe foi acusado pelo adversário, que respondeu timidamente e sem muita convicção, talvez para não estender ainda mais o assunto. Com a vitória folgada em South Carolina, motivada principalmente pelo voto étnico, Obama chega para a disputa da super-terça, em condições de igualdade com Hillary, que deu o troco e venceu na Flórida. Mesmo não valendo nada, conta como vitória moral.
O desgaste de Hillary e Obama é evidente, pois nenhum deles quer abrir mão da candidatura em favor do outro, e com isto o Partido Democrata tende a chegar fragmentado, dividido e fragilizado para a campanha a presidente quando for definido o candidato.
Na super-terça, onde Hillary Clinton chega como favorita, mas com muito menos força do que imaginava, tudo pode acontecer, pois não se sabe qual será a tendência, ou o caminho que os convencionais de 20 estados pensam e como agirão, mesmo com todo o esforço dos respectivos staffs de campanha, que estão sob pressão intensa e sob fogo cerrado dos pré-candidatos e do partido. Nisto, os republicanos levam ligeira vantagem, pois não existe uma disputa tão acirrada e nervosa pela vaga, e sim, uma propensão ao consenso em torno de John McCain.
Ou seja, depois da derrota na Flórida, Rudolph Giuliani deve entregar os pontos e renunciar, a exemplo do que fez o ex-senador John Edwards, o que para muita gente significa que já vão tarde. Aliás, a mídia, analistas e especialistas na política americana dizem que o grande perdedor é o ex-prefeito Rudolph Giuliani, de quem se esperava muito mais nesta campanha, e cujo desempenho foi decepcionante, tanto no seus discursos, quanto na questão da sua saúde.
Os boatos em torno da fé de Barack Obama são muitos, a começar da profissão de fé islâmica tanto do seu pai, quanto do seu padrasto, e ao suposto fato de quando tomou posse da sua vaga no senado, ter jurado sobre o Alcorão e não sobre a Bíblia, como é costume nos Estados Unidos.
Logo, tudo caminha para se decidir na super-terça, onde todos os esforços dos pré-candidatos serão sobre-humanos e quem conseguir capitalizar mais as emoções, quesito que Hillary Clinton tem levado vantagem, diante da frieza e pragmatismo de Obama Barack.
Sair vencedor na super-terça significa levar uma vantagem considerável tanto para as próximas convenções estaduais, quanto para a convenção do Partido Democrata que vai acontecer em Denver, Colorado de 25 a 28 de agosto ou da convenção do Partido Republicano em Minneapolis, Minnesota de 1 a 4 de setembro.
Mas para que isto aconteça, obter o maior número possível de vitórias na super-terça é primordial, mesmo que para isto tenha que se atacar duramente o adversário - no caso dos democratas, ou compor com o inimigo - no caso dos republicanos.