Dizer que a epidemia de dengue que tomou conta do Rio de Janeiro é falta de vergonha é pouco. Dizer o que então? Que os nossos políticos, ou pelo menos os que tomam conta do Rio de Janeiro, deviam estar em qualquer lugar, menos exercendo cargos públicos, pois demonstram claramente que trabalham em proveito próprio, quando deveriam lutar pelo povo que os elegeu e que agora morre porque o combate ao mosquito transmissor da dengue é ineficaz, ineficiente e indecente, só para ficar nos adjetivos com “i”.
O esperto Cesar Maia, prefeito do Rio de Janeiro, sempre ávido por um factóide que o coloque nas manchetes dos jornais, culpa o governo do estado e o governo federal; já o governador Sergio Cabral Filho diz que a culpa é da prefeitura do Rio de Janeiro e do ministro José Gomes Temporão, que foi secretário da saúde de Cesar Maia, se isentando de qualquer responsabilidade e culpa; o prefeito por sua vez diz que o ministro o odeia porque foi demitido.
Enquanto as autoridades discutem se o problema causado pelo mosquito aedes aegypti é municipal, estadual ou federal, já morreram 48 pessoas – até o fechamento desta edição, vitimadas pelo descaso, pela inércia e pela negligência das autoridades.
Sem contar que já não há mais vagas nos hospitais cariocas que estão entulhados de doentes e a cada minuto uma pessoa fica doente, o que torna a situação catastrófica e alarmante. Ou seja, aquilo que se podia prevenir, agora tem que ser remediado, e o que é pior, sem nenhuma perspectiva de que isto aconteça num curto espaço de tempo, o que é de se presumir que mais pessoas morrerão sem que se saiba de quem é a culpa.
Todos os dias se vê e se ouve médicos e autoridades sanitaristas orientando acerca de como combater o mosquito e as providências que devem ser tomadas. Uma delas fica a cargo da própria população que é não deixar nenhum tipo de água represada ou parada, mas o que se constata é que quanto mais se fala, mais há água parada e represada, como se a preocupação do combate estivesse somente nas mãos das autoridades.
A dengue é uma doença que se alastra por diversos continentes e o combate é relativamente simples. No México, em 2007, houve mais de 22 mil casos e em algumas áreas da Califórnia e do Texas foram registrados casos e os focos debelados imediatamente. Em algumas cidades destes dois estados onde foram constatados a doença, quem deixar acumular água é multado e levado à corte, o que faz com que cada um cuide para que não haja profiferação do agente transmissor.
Infelizmente, no Brasil as autoridades não se impõem diante destas circunstâncias e deixam as coisas correrem livremente. O resultado é o de passar vergonha diante do mundo todo, pois embora o país pleiteie estar entre as nações mais desenvolvidas do planeta, padece e se enrosca nas coisas mais básicas e elementares, como por exemplo o combate à dengue.
Outro dia mesmo era a febre amarela que ninguém sabe de onde veio, mas que provocou pânico e medo, principalmente nas áreas afetadas.
Sem contar a violência que é endêmica e incontrolável em algumas cidades como o Rio de Janeiro e São Paulo. Logo, o Brasil que é o paraíso da impunidade e do descaso agora se torna definitivamente a rota de doenças e males que nem na pior das nações subdesenvolvidas se vê.
Enquanto isto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva percorre o o país fazendo campanha como se o período eleitoral tivesse começado, o que nos faz perguntar se o Brasil é realmente um país sério. Será que é mesmo?
A culpa de quem é mesmo? Do povo claro, pois é ele quem elege este tipo de político para decidir o destino da nação. Infelizmente!