Fonte: Agência BR NEWS
Há cinco anos, algumas das lideranças brasileiras nos Estados Unidos diziam que neste mesmo período as coisas mudariam para melhor na comunidade. Cinco anos. Mil oitocentos e vinte e seis dias. Sessenta meses nada mudou na comunidade brasileira.
Continuamos com os mesmos problemas de cinco anos atrás. Pior ainda, as nossas lideranças continuam brigando pelas mesmas coisas. Só para lembrar algumas delas – carteira de motorista, assistência médica gratuíta ampla geral e irrestrita, melhoria no atendimento consular, e ai entra a eterna briga cônsul após cônsul, com as intermináveis filas e a sempre onipresente falta de passaportes.
É fácil dizer ao povo que os problemas se resumem exclusivamente nestas reivindicações, quando há muito mais a ser feito pela comunidade. Um exemplo é uma orientação coerente dos direitos e, principalmente, dos deveres que cada um de nós tem a cumprir. Só que este trabalho de conscientização é feito de modo tímido e acabrunhado. Basta ver os motivos pelos quais a nossa gente padece. Um exemplo da falta de orientação e educação aparece principalmente no trânsito.
Grande parte dos brasileiros não passaria num exame para tirar a carteira de motorista, e olha que o nível aqui é dos mais baixos possíveis. Para se constatar isso, basta ver pelas ruas e estradas como os americanos dirigem. Não conhecemos – e não respeitamos – os sinais de trânsito. Estacionamos onde não se pode estacionar; não respeitamos os limites de velocidade, e agimos como se fossemos os únicos na Terra. E pior, tem gente que reclama de perseguição quando é reprimido.
Cinco anos depois continuamos com os mesmos na área da saúde, sem conhecer quais são os programas que podem de fato nos beneficiar, e podemos incluir aqui os programas educacionais e os governamentais. Desconhecemos que se nos organizarmos de modo educado e coerente poderíamos reinvindicar uma série destes programas que estão a nossa disposição. Mas o que fazer se nem os nossos supostos líderes comunitários conhecem estes programas?
Partindo para o lado social propriamente dito, e se formos fazer um levantamento de quantos golpes a nossa gente sofreu nestes cinco anos, vamos contabilizar prejuízos na casa dos milhões de dólares. Caímos em golpes, porque deconhecemos os perigos e por crermos que quem se aproxima de nós quer o nosso bem, quando na realidade querem é o nosso dinheiro mesmo. Os golpistas estiveram em todos os setores da economia.
Vamos relembrar? Empresas de mudanças que sumiram com as cargas; empresas de telefonia; companhias de mortgage; lojas que transferiam dinheiro e cujos donos de uma hora para outra deram golpes e sumiram no mapa; lojas de venda de carros que financiavam o objeto vendido em mais de um banco; empresas de pintura e construção; oficinas mecânicas; falsos escritórios de advocacia, e até igrejas que proporcionaram golpes, como o recente Mesa da Fé, que surgiu em Massachusttes dentro de uma igreja evangélica. O resultado? Gente frustrada, amargurada e ressentida, principalmente, por não terem sido avisadas a tempo do perigo que corriam.
E os crimes? Assassinatos, violência doméstica, violência fisíca e psicológica, falsificações de documentos, roubo, e golpes sem fim empestearam a comunidade sem dó e nem piedade.
Muito há para ser feito. Basta querermos. Portanto, o balanço que fazemos destes cinco anos não é favorável como deveria ser. Quem sabe se daqui a cinco anos, quando formos fazer outro balanço, a situação seja totalmente diferente da que é hoje. Sem dúvida muita coisa boa aconteceu, e muita gente em posição de liderança trabalhou duro e arduamente. Mas será que não deveriam ter feito mais um pouco?
Nunca é tarde para começar, e por falar em começo, bem que os nossos líderes podiam dar um bom exemplo, sentando todos à mesma mesa, e juntando os seus esforços para o bem comum de todos, assim quem sabe daqui a cinco anos teremos boas coisas a relatar.