Desaceleração das remessas afeta economia de cidades mineiras
Fonte: Agência BR NEWS Juliana Melo
Comércio de Governador Valadares sofreu redução de 30% nas vendas
O comércio de Governador Valadares não é mais o mesmo. Desde o início do ano, as vendas vêm caindo e setores que recebiam altos investimentos, como o imobiliário, estão parados. Para quem está no Brasil, a queda do dólar é apontada como principal fator da desaceleração das remessas, mas quem conhece a realidade de perto sabe que o dinheiro remetido vem diminuindo não somente por causa do câmbio, mas também devido à economia norte-americana que não tem sido muito generosa com os trabalhadores imigrantes.
De acordo com José Geraldo Lemos Prata, presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas da cidade mineira, a diminuição de remessas para investimentos na região provocou redução das vendas e aumento da inadimplência. “Houve queda de pelo menos 30% nas vendas desde o início do ano, e um aumento considerável da inadimplência”, afirma.
A Câmara dos Lojistas atua em diversos municípios da região e está buscando alternativas para que o comércio supere essa fase. “Temos que reaprender a viver sem a entrada do dólar. Estamos criando campanhas para reaquecer as vendas e investindo na competitividade”, conta.
O sociólogo Dirley Henriques, da prefeitura de Governador Valadares, observa que a baixa do dólar provocou desaquecimento no comércio, no setor imobiliário e nos serviços em geral. “Vários setores da economia estão mais lentos. A redução das remessas provoca um efeito cascata: as famílias fazem contenção de gastos porque só recebem o suficiente para pagar as contas, o comércio diminui as vendas, e setores que recebiam grandes investimentos páram”, avalia.
Neste cenário, as cidades com grande fluxo de emigrantes têm que tentar reduzir a dependência do dólar. Segundo Dirley, alguns projetos estão sendo traçados pelo governo neste sentido, mas ainda estão em fase inicial. “Com as notícias de que o dólar continuará desvalorizado, os governos municipal, estadual e federal terão que buscar meios para implementar a economia da região, ou então, sofreremos a cada variação cambial”, completa.
O Brasil é o segundo maior receptor de remessas da América Latina, recebendo, no ano passado, 7,4 bilhões de dólares. Especialistas acreditam que esse montante sofrerá redução no próximo ano, devido à situação econômica e migratória nos Estados Unidos.
Remessas vem diminuindo desde o ano passado
O empresário Pedro Porto, da Real Express, afirma que as remessas dos imigrantes para o Brasil vêm diminuindo desde o ano passado. Segundo ele, a queda do dólar no primeiro semestre deste ano não resultou em redução expressiva do dinheiro enviado para o Brasil. “80% dos nossos clientes são brasileiros que enviam dinheiro custear despesas fixas”, afirma. “Quem paga contas da família, ou está pagando prestações de uma casa não tem como interromper as remessas devido ao câmbio”.
Porto considera que as remessas vêm sofrendo redução, em função da crise na economia norte-americana e à grande taxa de desemprego entre imigrantes. “Este ano, houve uma pequena variação no montante de remessas, mas ela refere-se a uma parcela de imigrantes que enviava dinheiro para investir no Brasil e que por causa da baixa do dólar estão esperando a situação melhorar”, diz. “Estamos sentindo essa redução há algum tempo, em função das condições migratórias e econômicas cada vez mais difíceis nos Estados Unidos”, finaliza.