Todo começo de ano é um porre para qualquer cronista, articulista ou jornalista que tirando algum fato expecional de última hora não tem muito o que repercutir. Mas uma gripe reincidente – a segunda em menos de dois meses, tratou de me colocar de cama e portanto, me tornou um observador atento das coisas que povoam o cotidiano de milhões de pessoas, seja aqui – onde vivemos, seja no Brasil de onde viemos, ou no mundo – que nos influencia mesmo que não queiramos que isto aconteça.
Por aqui a pré-campanha tem sido óbvia demais. E por ser óbvia está embolada e polarizada, com uma pequena vantagem para os democratas, especialmente para Hillary Clinton. Depois que ela chorou lá em New Hampshire, seguindo a recomendação dos seus marqueteiros, mostrando toda a sua “fragilidade” e “humanidade”, as coisas mudaram.
Aliás, a política americana é pontuada de intervenções de marqueteiros desde os anos 60, quando num debate maquiaram John Keneddy, já com Richard Nixon que não se deixou empastelar por nada neste mundo e foi de cara limpa debater. Lá pelas tantas o calor do estúdio, a pressão dos assuntos, e a falta de jogo de cintura de Nixon, fizeram com que ele fosse encuralado por Kennedy. No dia seguinte os jornais estamparam John Kennedy sorridente e seco e Richard Nixon suado e com o rosto crispado. Aliás, já observaram que os candidatos não derramam uma gota de suor? Só de lágrimas. Que o diga Hillary Clinton, que já mostrou que se a coisa pegar de novo, vai chorar se precisar.
Lá no Brasil, na véspera do carnaval, o Ministério Público da Bahia, resolveu meter – de novo – a colher e pediu a anulação da eleição do rei momo, que é magro, e segundo a tradição e a gritaria dos gordinhos, não pode de jeito nenhum. Tem coisas que só acontecem no Brasil, ou na Bahia mesmo. Como se não tivesse coisa mais importante para se fazer na vida.
E não fazer nada na vida é o que deseja a população brasileira que vai literalmente parar por uma semana no carnaval. O pior de tudo é ter que assistir à mesmice dos desfiles que a televisão brasileira nos impõe mesmo na América. Quem não gosta que alugue um filme, ou vá ler.
Outro dia o presidente Lula foi visitar o Fidel lá em Cuba. Coitado do ditador! Parece que empalharam ele e nem a notícia de que o Brasil de Lula vai investir US$ 1 bilhão em financiamentos para setores como construção de rodovias, empreendimentos hoteleiros, produção de medicamentos e vacinas e importação de alimentos parece ter animado o caquético ditador.
Os investimentos brasileiros chamam a atenção por alguns itens. Construção de rodovias e produção de medicamentos e vacinas, que pelo jeito são assuntos vitais em Cuba. Já no Brasil, quem trafega pelas estradas padece com os buracos, com a má conservação, com o descaso e com a falta de dinheiro para novas rodovias.
Sem contar a provável epidemia de febre amarela que tem assustado e matado sem que se tome alguma providência para minorar o descaso. E por falar em descaso, a Marta Suplicy, a ministra sinistra, atacou de novo ao dizer que a febre amarela é “uma epidemia de fofocas”, querendo tirar o corpo fora. Será que ela teria a coragem de ir lá para a região suspeita de contágio sem tomar vacina?
Falando em bufão, lá vem o Hugo Chavez de novo. Desta vez, dizendo que as Farc não são um grupo terrorista e sim “companheiros bolivarianos de luta”, e por causa disto pediu – não custa nada – a exclusão do grupo de terroristas. Mas e as mortes, os sequestros em troca de dinheiro, a desumanidade, o tráfico de drogas onde ficam?
E a gripe? A gripe vai bem obrigado. Espero que ela não volte daqui a dois meses de novo. Já alguns fatos como estes narrados, não tenho tanta certeza…