Dificuldades na América favorecem abuso de álcool e de drogas
Fonte: Agência BR NEWS Juliana Melo
Segundo estudo recente, as pressões do dia-a-dia e a solidão deixam imigrantes mais vulneráveis ao vício
A vida no novo país, a solidão e os obstáculos naturais da imigração estão entre os fatores que favorecem o abuso de álcool e drogas entre os estrangeiros que vivem nos Estados Unidos. Na semana passada, a divulgação de uma pesquisa conduzida pelo sociólogo Scott Akins, da Universidade Estadual do Oregón, confirmou um dado que a comunidade percebe no dia-a-dia: muitos imigrantes recém-chegados recorrem à bebida para relaxar e esquecer dos problemas, mas acabam incorporando esse hábito e desenvolvendo o alcoolismo.
Com as drogas não é diferente. Jovens que imigraram por vontade de seus pais fogem das frustrações e da falta dos amigos usando maconha e outros entorpecentes. Com isso, mascaram a dificuldade de adaptação e acabam se enturmando com mais facilidade na escola e em rodas de amigos da sua idade.
A pesquisa realizada com 6.713 estrangeiros aponta que à medida que os imigrantes vão se adaptando à vida na América, o uso de drogas e álcool torna-se mais comum. O levantamento verificou que os estrangeiros que já falam inglês abusam de substâncias químicas até 13 vezes mais do que os recém-chegados. “Quando os imigrantes chegam, logo conquistam um trabalho seguro, mais prestações e certamente melhor qualidade de vida. Mas junto com isso, ganham também outras coisas, como uma atitude mais tolerante em relação ao uso de drogas e ao sexo”, avaliou Scott Akins, sociólogo da Universidade do Oregón.
Drogas nas escolas
Especialistas em tratamento de dependentes químicos são diretos: as dificuldades enfrentadas pelos imigrantes podem alimentar o vício já existente ou deflagrar o abuso. Essa informação acende um sinal de alerta para os pais, já que os jovens integram o grupo mais propenso a consumir drogas e bebidas alcoólicas.
Segundo o Centro Nacional de Vício e Abuso de Substâncias Proibidas, ligado à Universidade de Columbia, o número de escolas onde há problemas de drogas aumentou de 44% a 61%, desde 2002.
Um estudo recente da entidade indicou que quatro em cada cinco adolescentes já presenciou o uso, a venda ou a posse de narcóticos dentro das escolas. 13% dos adolescentes disseram que já experimentaram maconha por influência de outro estudante, um dado que pode ser ainda maior, se levarmos em conta que nem todos admitem fazer uso de drogas.
Joseph Califano, presidente do centro de investigação, disse que o levamento demonstra que as drogas já estão incorporadas à experiência escolar dos jovens. Os pais muitas vezes não sabem como agir em relação a essa situação, por isso, acabam optando pela omissão. Esse comportamento, no entanto, tende a agravar cada vez mais o problema.
Luta contra as drogas
No mês passado, Geovany Guerra de Almeida realizou várias palestras na Carolina do Norte, Pennsylvania, Flórida, New Jersey e Nova York em parceria com a Baua (Brazilian American United Association). O tema dos encontros foi “Guerra contra as Drogas”, abordando os efeitos das drogas permitidas (álcool, cigarro, medicamentos e inalantes) e das drogas proibidas (maconha, cocaína, crack, heroína, LSD e ecstasy). Geovany, que também é autor do livro "Guerra Contra as Drogas", fez observações importantes sobre a dependência química e criou um site onde disponibiliza diversas informações sobre o tema, esclarecendo dúvidas e dando orientações para jovens e adultos. Vale a pena visitar: www.guerracontraasdrogas.com.br