Fonte: Agência BR NEWS
As remessas que os imigrantes latinos americanos enviam aos seus países de origem cresceram num ritmo menor nos dois primeiros meses deste ano, se comparadas ao mesmo período do ano passado, de acordo com estudo feito pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Depois de crescerem uma média de 20% ao ano desde que os analistas do BID começaram a rastreá-las, há uma década, as remessas cresceram menos de 10% em janeiro e fevereiro deste ano.
Segundo especialistas, se essa redução for uma tendência, os países ricos podem sofrer as conseqüências de fluxos migratórios ainda maiores, visto que mais latinos americanos poderão buscar trabalho nos Estados Unidos. “Não sabemos ainda se isso é uma tendência ou uma pequena correção” diz Donald Terry, representante do BID. “Mas tornando-se uma tendência, isso não será bom para os interesses dos EUA na América Central”.
Durante todo ano de 2006, os trabalhadores imigrantes enviaram $62.3 bilhões para as suas famílias na América Latina, um crescimento de 14 %, em relação ao ano de 2005 e de 17% de 2004 para 2005.
Os países da America Central e do Caribe são os que mais dependem desse dinheiro como fonte de renda principal. En El Salvador, por exemplo, os $3.3 bilhões que os imigrantes enviaram para casa no ano passado correspondem a 18% do PIB (Produto Interno Bruto) do país e ultrapassam os investimentos e ajuda estrangeira para a região. Grande parte do dinheiro vai para áreas rurais, e ajuda a tirar familias da linha de pobreza, de acordo com o estudo do BID.
As remessas também são importantes em Honduras, onde correspondem a 23% da renda nacional, e na Jamaica, onde formam 19% do PIB. “Para uma região volátil economicamente, as remessas têm sido responsáveis, em parte, pela recente estabilidade econômica de muitos países latino americanos”, diz Manuel Orozco, um dos autores do estudo.
Perguntas têm sido levantadas quanto a responsabilidade das mudanças políticas e econômicas recentes nos Estados Unidos na forma como os trabalhadores imigrantes gastam o seu dinheiro. O BID está desenvolvendo uma outra pesquisa para descobrir porque os imigrantes estão enviando menos dinheiro aos seus países.
Pesquisadores sugerem que as operações da Agência de Imigração nas comunidades imigrantes e o medo da deportação têm estimulado alguns trabalhadores a cortar gastos.
Outros podem estar economizando para pagar as taxas de uma possível legalização, já que o debate no Congresso sobre reforma migratória inclui o pagamento de multas por quem vive ilegalmente nos EUA para poder ajustar seu status. Ainda há a razão econômica. Para os pesquisadores, a desaceleração do mercado imobiliário pode estar afetando os imigrantes, que trabalham em grande parte na construção civil.